Águas ferventes levam ‘Aquaman’ à ‘Tela Quente’

Águas ferventes levam ‘Aquaman’ à ‘Tela Quente’

Rodrigo Fonseca

02 de maio de 2022 | 09h15

Aquaman (Jason Momoa) encara Orm, o Mestre dos Oceanos, sob a direção de James Wan: 22h30 na Globo

Rodrigo Fonseca
Em meio ao circo midiático formado em torno do julgamento envolvendo a atriz Amber Heard e o ator Johnny Depp, nos EUA, que mobiliza o mundo jurídico, a TV Globo escala o mais pop de todos os trabalhos da estrela de “The Ward – Aterrorizada” (2010), o fenômeno de público “Aquaman” (2018) para a “Tela Quente” desta segunda, agendada para 22h30, logo depois de “Pantanal”. Ou seja: é noite de Jason Momoa na TV aberta. É um pilar do terror, James Wan, o mesmo diretor de “Jogos Mortais” (2004), quem pilota a produção.
Cria das trevas, responsável por uma das franquias que melhor assombrou a última década na seara do pavor (“Invocação do Mal”), Wan foi contratado pela DC Comics/Warner para dirigir “Aquaman” não apenas por sua artesania sofisticada ou por sua forte comunicabilidade com multidões. A intimidade do realizador australiano (de DNA meio malaio, meio chinês) com a fantasia pesou. Era necessário alguém com o entendimento do que existe de subtexto fantástico… ou mais, de mágico… nas jornadas heroicas a fim de eliminar do Rei dos Mares toda a chacota em torno de sua figura. Chacota decorrente do desenho animado caricato estrelado por ele de 1967 a 1970 na rede CBS, com direito a cavalo marinho como montaria. É o domínio (crescente) de Wan sobre as narrativas da magia que torna esta aventura solo do super-herói criado em 1941 (por Paul Norris e Mort Weisinger, na edição número 73 do gibi “More Fun Comics”) uma das pipocas mais saborosas de 2018, quando a Marvel reinou só, com “Pantera Negra” e “Vingadores: Guerra Infinita”.

Vigilante marvete algum pode se queixar da verve heroica (e debochada… e abusada… e sexy) de Jason Momoa como Arthur Curry, o alter ego do legítimo Rei da Atlântida. Momoa é um poço de carisma, alinhado à incorreção política, salpicando provocação a uma narrativa que lembra “Excalibur”, de John Booman. A trama, supervisionada pelo editor e quadrinista Geoff Johns (de “Gavião Negro”), é pautada pela guerra ao trono do Reino Submarino. E é temperada pela marca autoral de Wan: seus filmes sempre se estruturam sob a lógica de alguém que produz o Mal por algum ato negligente (como se vê aqui na gênese do humanizado vilão Manta Negra, também chamado Arraia Negra), sobre formas de orfandade (Curry é abandonado pela mãe, Atlanna, vivida por Nicole Kidman, quando guri) e sobre manifestações de amor um tanto fora de época, assumidamente cafonas, como se vê no cinema romântico da Ásia.

Amber Heard vive Mera

Há uma breguice explícita no enamoramento entre Aquaman e a princesa Mera (papel de uma Amber Heard no auge do talento). São bregas também as tramas melodramáticas paralelas, ligadas ao fato de o inimigo nº1 do protagonista ser seu irmão invejoso, Orm, o Mestre do Oceano, vivido por Patrick Wilson, ator xodó de Wan. A explícita cafonice personaliza o filme como fábula, sem diluir a injeção de adrenalina que o diretor aplica no roteiro a cada virada, com sequências de ação de rigoroso apuro plástico (sobretudo a luta de Atlanna nos minutos iniciais). Repleto de bons atores, incluindo Willem Dafoe como Vulko (o Paulo Guedes da Atlântida), o longa-metragem ainda repagina o astro brucutu Dolph Lundgren, perfeito no papel do Rei Nereus. Igualmente inspirada é a atuação de Yahya Abdul-Mateen II como Manta… e/ou Arraia Negra.
Na versão brasileira, um dos melhores dubladores do país na atualidade, Francisco Júnior, dá voz a Aquaman. E Luisa Palomanes dubla Mera.
Atenção: “Aquaman 2” já está rodado, também com o Wan na direção.

p.s.: Falando em Globo, neste “Corujão” tem “O Homem Sem Sombra” (“Hollow Man”, 2000), de Paul Verhoeven, em que Kevin Bacon fica invisível… e perigoso.

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