‘Agente Duplo’, do Chile para o Globoplay

‘Agente Duplo’, do Chile para o Globoplay

Rodrigo Fonseca

25 de novembro de 2020 | 12h57

Rodrigo Fonseca
Chancelado com selo de Sundance como um estandarte de qualidade, “Agente Duplo” (“El Agente Topo”), misto de documentário e dramédia dirigido por Maite Alberdi, escolhido para representar o Chile na disputa a uma vaga para a competição do Oscar 2021, hoje integra o cardápio do Globoplay. O filme saiu do 68º Festival de San Sebastián, na Espanha, em setembro, com o prêmio do júri popular. Há uma ideia a princípio provocativa nele, de se ver uma mescla de humor e narrativa documental a partir de uma premissa de espionagem. Mas sua diretora pisa no freio da fábula e acelera no real. Os dez minutos iniciais são brilhantes: neles, um detetive caça um idoso esperto o suficiente para agir como espião em um asilo, acompanhando possíveis destratos aos internos. Ali, o riso nos consome ao passo que vemos a total inaptidão dos candidatos a 007 com o manuseio do celular. Mas, depois que o eleito, Sérgio, um senhor na casa dos 83 anos, instala-se na instituição, a estrutura de observação da diretora tropeça abre mão do tom chanchadesco e opta pelo registro. O cuidado da realizadora na busca por tipos que traduzam os medos inerentes à velhice é de uma riqueza antropológica ímpar.
Em seu cardápio de iguarias de não ficção, o Globoplay tira onda com “Tiros em Columbine” (“Bowling For Columbine”), longa que deu o Oscar de Melhor Documentário a Michael Moore, em 2003, sob as vaias de uma claque em prol de George W. Bush. O longa, centrado na sanha armamentista dos EUA, deu ainda um prêmio especial ao realizador em Cannes, em 2002.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.