Adam Sandler para animar plataformas

Adam Sandler para animar plataformas

Rodrigo Fonseca

27 de janeiro de 2020 | 18h50

Rodrigo Fonseca
Embora Jeremy Irons seja o presidente do júri da 70º Berlinale, que anunciará seus filmes em competição nesta quarta-feira (enfim!), um outro ator de peso, que hoje vive um momento de apogeu, graças ao cult em torno de “Joias brutas” (“Uncut Gems”), deve ocupar lugar de honra entre os artistas que hão de julgar os concorrentes ao Urso de Ouro de 2020: Adam Sandler. O nome ainda não foi confirmado pelo Festival de Berlim (agendado de 20 de fevereiro a 1º de março), mas cresce a boataria em torno de sua participação no evento. Sandler virou, de 2012 pra cá, um rei na Netflix, depois de quase 15 anos de soberania sobre a comédia hollywoodiana: de “O rei da água” (1998) a “Cada um tem a gêmea que merece” (2011), nenhum astro de humor dos EUA vendeu mais ingressos do que ele. Mas, vez ou outra, ele ataca nas telonas, nem que seja cedendo sua voz a uma franquia animada de peso: “Hotel Transilvânia”, cujo tomo de número três integra, hoje, a grade do HBO Go, na web.

Imprevisível e hilário, do começo ao fim, para adultos e crianças, com situações de doer a barriga de tanto riso, “Férias monstruosas”, o terceiro (e melhor) capítulo da cinessérie “Hotel Transilvânia”, faz parte do bonde de autoralidades que abriu suas portas para a indústria animada internacional. Quem assina a direção é o mestre russo Genndy Tartakovsky. Idolatrado pelas crianças dos anos 1990 e 2000 por “O Laboratório de Dexter” e “Samurai Jack”, o mais pop dos diretores de animação de seu país – e mais camaleônico, dado a diversidade de seu traço – retoma a figura do Conde Drácula para refinar o olhar sobre sua questão habitual: a lealdade às tradições. Avô amoroso e pai coruja, Drac cansou da viuvez e quer amar de novo – ou, como dizem os monstros, quer “sentir o tchan”. Vai tentar o Tinder (numa sequência antológica) até que sua filha o força a tirar férias num cruzeiro, onde seus caninos vão salivar por uma ancestral de Van Helsing. Em meio a uma narrativa delirante, cuja montagem aposta na vertigem, Tartakovsky costura uma gag na outra. Drac, lá fora, fala com a voz de Adam Sandler. Aqui ele ganha o gogó de um gênio da dublagem: Alexandre Moreno. Da boca de Van Helsing, ouve-se, em português, o vozeirão de um mestre: Mario Jorge, que há anos dubla Eddie Murphy e John Travolta.

Voltando à Berlinale, fala-se muito, entre possíveis concorrentes, de Philippe Garrel e seu “Le Sel des Larmes”; de Sally Potter e seu “The roads not taken”; de João Botelho, com o luso-brasileiro “O ano da morte de Ricardo Reis”; de Naomi Kawase e seu “Three mothers”; de Martin Provost com “La bonne épouse”; e de Marco Dutra e Caetano Gotardo, com “Todos os mortos”.

p.s.: Este ano, os irmãos Josh e Bennie Safdie, que pilotaram “Joias Brutas”, lançaram um curta com Sandler, chamado “Goldman v Silverman”, sobre artistas de rua.

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