ACCRJ celebra o cinema de Céline Sciamma

ACCRJ celebra o cinema de Céline Sciamma

Rodrigo Fonseca

04 de abril de 2021 | 10h49

Céline Sciamma com suas protagonistas, Noémie Merlant e Adèle Haenel, nas filmagens de “Portrait de la jeune fille en feu”, uma produção de 4,8 milhões de euros, que faturou US$ 10 milhões

RODRIGO FONSECA
Respeitada como um dos pilares da reflexão estética no audiovisual da América Latina, a Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ) votou no sábado a lista dos melhores filmes exibidos em território brasileiro de 2019 a 2020, de dezembro a dezembro, dando o primeiro lugar de seu pódio de excelência à francesa Céline Sciamma. Aplaudida na Berlinale, há um mês, com “Petite Maman”, ela foi reverenciada pelos cariocas ao ser eleita a titular do primeiro lugar na lista de Melhores do Ano (passado) da instituição com seu poético “Retrato de uma Jovem em Chamas”. Lançado há cerca de dois anos em Cannes, na disputa pela Palma de Ouro, “Portrait de la jeune fille en feu” deixou a Croisette com o prêmio de melhor roteiro e com a Queer Palm (a láurea LGBTQ+ cannoise). As duas láureas foram reconhecimentos obrigatórios diante da potência dramatúrgica deste ensaio sobre a sororidade. Nele, uma pintora do século XVIII (Noémie Merlant) tem uma tarefa de retratar uma jovem nobre (Adèle Haenel) forçada pela mãe a um casamento nào desejado. Da pintura vai brotar uma paixão cúmplice. E libertadora. Indicado ao Globo de Ouro, o longa, orçado em €4,8 milhões, vendeu 105 mil ingressos em sua arrancada nas bilheterias da França, em apenas uma semana, e arrecadou US$ 10 milhões planeta afora, de carona nas reflexões de Céline sobre as violências de gênero. Estima-se que a diretora vá presidir o júri da mostra Un Certain Regard ou da Semana da Crítica na terra da Palma dourada este ano.
“É um filme sobre a importância da união, construído a partir de um cuidado visual de não saturar a cor, de ir pelo caminho da leveza”, disse Céline ao Estadão em Cannes.
Outros nove longas-metragens foram selecionados por Ana e sua claque de associados:
– “1917” (“1917) – 2019, EUA), de Sam Mendes;
– “Babenco: Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer Parou” (2020, Brasil), de Bárbara Paz;
– “Destacamento Blood” (“Da 5 Bloods” – 2020, EUA), de Spike Lee;
– “Joias Brutas” (“Uncut Gems” – 2019, EUA), de Benny Safdie e Josh Safdie;
– “O Farol” (“The Lighthouse” – 2019, Canadá), de Robert Eggers;
– “O Homem Invisível” (“The Invisible Man” – 2020, Canadá), de Leigh Whannell;
– “O Som do Silêncio” (“Sound of Metal” – 2019, EUA), de Darius Marder;
– “Pacarrete” (2020, Brasil), de Allan Deberton;
– “Soul” (“Soul” – 2020, EUA), de Pete Docter e Kemp Powers.
“Foi um ano gravíssimo por conta da pandemia e o cinema foi um dos alentos”, explica Ana Rodrigues, presidente da ACCRJ. “Essa lista celebra excelentes filmes que representam, por meio de diretoras e diretores, a universalidade de temas e gêneros”.
No empenho para valorizar talentos que nos deixaram recentemente, a ACCRJ incluiu em seu rol de homenageados postumamente o cineasta José Mojica Marins, o atores Flávio Migliaccio, Kirk Douglas e Sean Connery, e os compositores Aldir Blanc e Ennio Morricone. Uma de suas mais badaladas honrarias – batizada “Melhor Iniciativa Cinematográfica” – será concedida ao produtor e cineasta Carlos Vinícius Borges, o Cavi, que continua produzindo em meio à pandemia, inclusive inaugurando o Espaço Cultural Cavídeo, nas Casas Casadas, em Laranjeiras, Zona Sul do Rio de Janeiro. Além disso, Cavi tem realizado ações sociais para ajudar aos mais afetados pela crise oriunda da covid-19.

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