‘A Vida é Bela’ (e livre) na TV Brasil

‘A Vida é Bela’ (e livre) na TV Brasil

Rodrigo Fonseca

03 de janeiro de 2020 | 16h15

Rodrigo Fonseca
Em cartaz nas telas da Itália desde o Natal no papel do carpinteiro Geppetto no badalado “Pinocchio”, de Matteo Garrone, uma das atrações da Berlinale 2020 (20 de fevereiro a 1º de março), o toscano Roberto Benigni vai inundar a televisão brasileira de lirismo esta noite, num acerto de contas conosco por uma dívida que está a um passo de completar 20 anos de dor em nosso peito. Tem “A Vida É Bela” (“Life Is Beautiful” / “La vita è bela”, 1997) na TV Brasil (a boa e velha TVE) esta noite, às 23h30. Nelson Machado (voz do Quico, da vila de “Chaves”) dublou Benigni no papel do livreiro trapalhão Guido Orefice neste fenômeno de público e crítica. Um fenômeno que não desce em nossas gargantas há duas décadas, desde que esse ícone do humor à italiana levou o Oscar de melhor filme estrangeiro consigo para seu país, em 1999, deixando “Central do Brasil”, de Walter Salles, a ver navios. Com 70 láureas em seu currículo, incluindo as estatuetas hollywoodianas de melhor trilha sonora (composta por Nicola Piovani) e melhor ator (Benigni, numa sublime atuação), essa produção de US$ 20 milhões arrecadou US$ 230 milhões na venda de ingressos. Destaque entre suas vitórias o Grande Prêmio do Júri de Cannes, num ano em que o time de jurados foi presidido por Martin Scorsese.

Na trama, que encantou multidões com sua doçura, Guido (Benigni) é um herói pícaro com ares de Pedro Malasartes: de origem judaica, ele chega a Arezzo, em 1930, em meio à ascensão do Fascismo, e, lá, apaixona-se por uma jovem professora, Dora (Nicoletta Braschi, esposa de Roberto desde 1991), que pertence a classes sociais distintas da dele. Mesmo liso, leso, duro e louco, Guido dribla suas dificuldades e arrebata seu coração, tendo com ela um filho, o fofíssimo Giosué (vivido por Giorgio Cantarini, hoje com 27 anos). No auge de sua felicidade, nazistas ampliam o legado do Eixo e as hordas de Mussolini mandam Guido, seu pimpolho e sua “principessa” para um campo de concentração. Lá, o malandro vendedor de livros vai usar sua lábia para fazer com que Giosué acredite que tudo não passa de uma gincana, criando momentos ora hilários, ora comoventes.

É, sem dúvida, um dos grandes filmes da História do fim do século XX para cá. E como Benigni dirige com precisão, apoiado no roteiro que escreveu com Vicenzo Cerami, fotografado por Tonino Delli Colli (1922–2005), parceiro de Pasolini e de Sergio Leone. No Brasil, a dubladora Lúcia Helena cedeu a voz a Nicoletta Braschi na versão do filme para o português.

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