‘A Verdade’ de Deneuve à luz da HBO Max

‘A Verdade’ de Deneuve à luz da HBO Max

Rodrigo Fonseca

02 de junho de 2022 | 12h26

Rodrigo Fonseca
Em meio à escolha de Catherine Deneuve (aos 78 anos) para ganhar o Leão de Ouro de Honra no 79º Festival de Veneza (31 de agosto a 10 de setembro), um dos melhores filmes recentes da atriz, “A Verdade” (“La Vérité”, 2019), dirigido pelo japonês Hirokazu Kore-Eda, está, enfim, acessível aos brasileiros, na grade da HBO Max. Sua presença na streaminguesfera coincide com a consagração recente do novo filme do cineasta, “Broker”, exibido na competição oficial de Cannes, onde foi laureado com o Prêmio do Júri Ecumênico e o de Melhor Interpretação Masculina, dado a Song Kang Ho. O drama com Catherine foi a primeira experiência de Kore-Eda em Inglês e Francês, elaborado na esteira de sua vitória na Croisette, em 2018, quando ele recebeu a Palma de Ouro por “Assunto de Família” (“Shoplifters”). A primeira exibição dele, com a presença de La Deneuve, aconteceu no Lido, há três anos, na competição pelo Leão de Ouro. Teve sessão dele no Festival de San Sebastián também.
“Gravitamos pelos conflitos essenciais das relações familiares, no esforço de entender as adequações da contemporaneidade”, disse Kore-Eda na ocasião.

Fabienne (Catherine Deneuve) e sua filha, Lumir (Juliette Binoche), entram em conflito por conta de um livro

Indicada ao Oscar em 1993, por “Indochina”, Catherine tem sua melhor atuação, em anos, em sua troca com Kore-Eda, que é um diretor de elenco exímio. A diva encarna Fabienne, estrela dos palcos e das telas, muito vaidosa, que vai lançar sua autobiografia. Porém, o conteúdo do livro preocupa sua filha, a roteirista Lumir (interpretada por Juliette Binoche), e seu genro, o ator Hank (encarnado por um Ethan Hawke em estado de graça). O medo do casal envolve o tipo de revelação que Fabienne possa fazer em relação a seu pretérito, imperfeito até o tutano de seus ossos, e, em especial, a maneira como ela escreve sobre uma amiga de juventude, a quem traiu. E, para complicar, Catherine está envolvida com uma ficção científica que trata de temas do tempo e do envelhecimento.
“Vemos nessa história uma luz das genialidades tempestuosas”, disse Catherine em Veneza. “É um estudo sobre lidar com a incontinência verbal das pessoas”.
No Brasil, Ana Cristina Roma dublou Deneuve.

p.s.: Esta em cartaz no Instituto Moreira Salles (IMS), do Rio e de São Paulo, o longa “Amigos de Risco”, de Daniel Bandeira, que, após 15 anos sem tela, enfim encontra espaço em circuito. É uma espécie de “Depois de Horas” no Recife.

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