A Transilvânia na jugular da HBO

A Transilvânia na jugular da HBO

Rodrigo Fonseca

01 de maio de 2019 | 14h47

Rodrigo Fonseca

Estrela do novo longa-metragem dos irmãos Josh e Bennie Safdie, o esperado “Uncut Gems”, sobre um joalheiro envolvido com bandidos, Adam Sandler descobriu na seara da animação uma mina de ouro chamada “Hotel Transylvânia”, em marcha para a grade da HBO no Brasil. O terceiro e mais rentável tomo da franquia (são três longas, cada um orçado em cerca de US$ 80 milhões) já vai entrar no menu da emissora – os anúcios estão no ar. Sua bilheteria: US$ 528 milhões.

Imprevisível e hilário, do começo ao fim, para adultos e crianças, com situações de doer a barriga de tanto riso, “Férias monstruosas”, o mais recente capítulo da cinssérie “Hotel Transilvânia”, faz parte do bonde de autoralidades que abriu suas portas para a indústria animada mundial. Seu criador é o mestre russo Genndy Tartakovsky. Idolatrado pelas crianças dos anos 1990 e 2000 por “O Laboratório de Dexter” e “Samurai Jack”, o mais pop dos diretores de animação de seu país – e mais camaleônico, dado a diversidade de seu traço – retoma a figura do Conde Drácula para refinar o olhar sobre sua questão habitual: a lealdade às tradições. Avô amoroso e pai coruja, Drac cansou da viuvez e quer amar de novo – ou, como dizem os monstros, quer “sentir o tchan”. Vai tentar o Tinder (numa sequência antológica de falhas de audição) até que sua filha o força a tirar férias num cruzeiro, onde seus caninos vão salivar por uma ancestral de Van Helsing.

Em meio a uma narrativa de tim delirante, cuja montagem aposta na vertigem, Tartakovsky costura uma gag na outra. Drac, lá fora, fala com a voz de Adam Sandler. Aqui ele ganha o gogó de um gênio da dublagem: Alexandre Moreno. Da boca de Van Helsing, ouve-se, em português, o vozeirão de um mestre: o genial Mario Jorge, que há anos dubla aqui Eddie Murphy e John Travolta.

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