‘A Tartaruga Vermelha’ anima festival em Pernambuco

‘A Tartaruga Vermelha’ anima festival em Pernambuco

Rodrigo Fonseca

18 de novembro de 2016 | 15h15

Favorito ao Oscar,

Favorito ao Oscar, o desenho “A Tartaruga Vermelha” foi premiado em Cannes


RODRIGO FONSECA

Libelo ecológico premiado em Cannes, hoje com fortes chances de conquistar o Oscar de melhor longa-metragem animado em 2017, o cult A Tartaruga Vermelha (La Tortue Rouge) vai ser a cereja de um bolo assado em múltiplas linguagens audiovisuais que promete inundar Recife das mais criativas experiências narrativas fora das fronteiras da live action de 22 a 27 de novembro. Esta é a data da 7ª edição do Animage: Festival Internacional de Animação de Pernambuco, realizado em nove espaços de exibição no Recife (como o Cine São Luiz, o Parque Dona Lindu e a Caixa Cultural). No dia 26, às 19h, no São Luiz, ocorre a projeção do “ecoépico” sobre a tartaruguinha metafísica que seduziu a Croisette em peso. Dirigido pelo holandês Michael Dudok de Wit, oscarizado em 2001 pelo curta Father and Daughter, o filme fala sobre um náufrago que tenta sobreviver uma ilha deserta, onde um quelônio rubro é seu único amigo. Na tela, este enredo rende uma experiência narrativa sensorial diferente de tudo o que a indústria espera de um desenho animado: 80 minutos sem qualquer diálogo, num tom contemplativo da Natureza, construído com cores saturadas, como um pleito pela preservação dos animais.

 “Esta é uma história sobre respeito, fomentada pela ideia de que machucar um animal é uma ação tão brutal quanto um estupro”, disse ao Estadão, em Cannes, o diretor de 63 anos, que começou a carreira em 1981, animando um dos trechos do cult Heavy Metal: Universo em Fantasia. “A Natureza é o nosso lar e devemos protegê-la”.
Anima Mundi A Tartaruga Vermelha TheRedTurtle_clip_attack
Estrear na direção de longas, depois de uma estrada de 35 anos de carreira em filmes de grandes produtoras europeias ou em curtas autorais, com uma narrativa tão radical só foi possível para De Wit graças ao apoio dos Estúdios Ghibli, grife japonesa por traz de cults como O Conto da Princesa Kaguya (2013) e de obras-primas do mestre Hayao Miyzaki como A Viagem de Chihiro (2012).

“Estava louco para dirigir algo meu, num formato longo, quando os executivos de criação do Ghibli me procuraram pedindo um projeto. Tremendo, eu disse: ‘Olha, por mais que eu fique honrado de trabalhar na ‘casa’ de Miyazaki, nada do que eu tenha em mente tem perfil de blockbuster’. Precisava ser sincero. Mas eles riram e disseram: ‘A gente é especializado em filmes que o mercado enxerga, à primeira vista, como potenciais fracassos, mas que, com o tempo, consolidam-se no gosto popular, pois a nossa busca é pro expressões artísticas’. Dizer o que depois disso?”, brinca De Wit, que contou com assessoria da cineasta francesa Pascale Ferran (de Lady Chaterley) em seu roteiro. “Ela queria diálogos. Mas no correr da direção, as imagens falavam por si”.

Entre as atrações obrigatórias do Animage, destacam-se a fábula francesa francesa A Menina Sem Mãos (La Jeune Fille Sans Mains), de Sébastien Laudenbach, que virá ao Recife para uma masterclass, e o curta O Ex-Mágico, de Mauricio Nunes e Olimpio Costa.