‘A Química Que Há Entre Nós’ e a tela

‘A Química Que Há Entre Nós’ e a tela

Rodrigo Fonseca

26 de agosto de 2020 | 10h59

Rodrigo Fonseca
Há uma semana, a Amazon Prime vem arrancando suspiros bem parecidos com aqueles que “A Garota de Rosa-Schocking” (1986) arrancava da gente na década de 1980 à força da relação cheia de dengos e dedos entre dois estudantes em “Chemical Hearts”, de Richard Tanne. Por aqui, pintou um título aportuguesado para o filme: “A Química Que Há Entre Nós”. Há mais de Richard Linklater e seu “Antes do Amanhecer” (1995) nele do que John Hughes e sua estética Brat Pack de “Gatinhas e Gatões” (1984). Os arroubos passionais são represados pela moral no novo longa do realizador de “Michelle e Obama” (“Southside With You”, 2016), tendo como protagonista e coprodutora a atriz Lili Reinhart, estrela da série “Riverdale”. Ela divide suas sequências de maior encantamento com Austin Abrams (o Marc de “This Is Us”), em um contexto onde o querer ganha formas inusitadas.
“Existe uma negociação constante entre as duas pessoas que vão se apaixonar nessa história, pois ambos têm muita coisa represada. Existe luto nela e existe idealização nele. E, como são jovens, ambos dividem uma urgência diante do medo de errar”, disse Tanne ao P de Pop, em entrevista via Zoom. “Existe, sim, uma tradição de representação do amor romântico na fase da adolescência, mas o caminho que eu escolhi foi menos o do tributo a clássicos do passado, como os filmes de Hughes e de Sofia Coppola, e mais uma busca por um código próprio, que dialogue com o meu tempo e que respeite o poder do silêncio”.

No enredo, o foco do cineasta é o universo dos ritos de passagem do fim da adolescência. Henry Page (Abrams) está prestes a terminar o ensino médio e partir para a universidade, gastando seu tempo vago no jornal de sua escola. A chegada de uma nova colega de bancada (e de redação), a enigmática Grace Town (interpretada por Lily), vai tirar o rapaz da inércia sentimental e abrir o dique de seu imaginário mais passional. Lily usa uma bengala para caminhar, por conta de uma fragilidade óssea em sua perna, que vai ser melhor explicada conforme o filme avança, revelando o segredo da introspecção da jovem e o motivo de sua rejeição aos cortejos (delicados) de Page.
“O livro ‘Our Chemical Hearts’, de Krystal Sutherland, foi fundamental pra que eu pudesse construir os dois personagens e buscar a humanidade deles”, disse Tanne ao Estadão. “Meu filme sobre Michelle e Obama confiava muito na palavra. Aqui eu preferi arejar as sequências e deixar espaço para os respiros”.

p.s.: Nesta quarta, às 15h, a “Sessão da Tarde” marca um golaço ao escalar “Um Senhor Estagiário”, no qual Robert De Niro dá um show de atuação ao ajudar uma empresária (Anne Hathaway, dublada por Letícia Quinto) a manter seus negócios e seu coração no lugar.

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