‘A New Old Play’ presta tributo ao teatro chinês

‘A New Old Play’ presta tributo ao teatro chinês

Rodrigo Fonseca

16 de agosto de 2021 | 15h11

Rodrigo Fonseca
Situado numa estilizada fronteira entre realismo e fábula, fruto de uma carreira talhada pelo cinzel documental, “A New Old Play” (“Jiao Ma Tang Hui”) conquistou o Prêmio Especial do Júri no 74º Festival do Locarno com uma celebração de tintas barrocas das tradições chinesas da ópera e do teatro musical. Formado como realizador pelas vias do documentário, ao rodar os filmes “Chi” (2015) e “Gu Nainai” (2010), o cineasta Qiu Jiongjiong parte de histórias de seu avô para narrar o réquiem para um velho palhaço. Na trama, um artista circense que dedicou meio século de sua vida ao ofício de fazer rir gasta seus últimos instantes de lucidez, numa “passagem” para o Além, a relembrar sua relação com a comédia.
“A solidão é a essência de um palhaço, uma classe de artistas que se mantêm sorrindo apesar de todas as dificuldades. Eu cresci numa família de artistas e aprendi a ver como eles eram capazes de encenar na vida… e fora dela. Meu esforço foi triar humanidade nessas relações familiares e artísticas”, diz Jiongjiong ao Estadão, lembrando que teve o diretor Bu Wancang (1900-1973), de “A Spray of Plum Blossoms” (1931), como um de seus faróis. “Meu cinema é muito independente, mesmo para os padrões da indústria chinesa, pois venho das artes visuais e do documentário, operando com baixo orçamento. Rodei ‘A New Old Play’ com cerca de 500 mil euros, de maneira muito artesanal”.
Em sua passagem por Locarno, na briga pelo Leopardo de Ouro (que ficou com “Vengeance Is Mine, All Others Pay Cash”, da Indonésia), o longa chinês arrebatou olhares e elogios pelo rigor dos enquadramentos de Jiongjiong. “Tenho uma influência do expressionismo na estética, que vem da minha relação de cinéfilo com a obra de Murnau, sobretudo com ‘Aurora’, investindo em elementos simbólicos. Criamos, durante as filmagens, uma tenda, muito parecida com um picadeiro, que nos servia como locação. Naquele espaço criamos um ambiente expressionista”, diz o cineasta, fã de Buster Keaton e Chaplin. “Cresci no fim da Revolução Cultural, quando a China recebia filmes em P&B do Ocidente”.

Uma família teatral estrela “A New Old Play”

p.s.: A Tropicália, importante movimento que marcou a cultura brasileira na década de 1960, será tema da quarta livezinha que o Grandes Músicos para Pequenos apresenta, este ano, em parceria com o projeto “Diversão em Cena”. Com direção de Diego Morais e roteiro de Pedro Henrique Lopes, o programa vai apresentar o espetáculo digital inédito “Sonzinho Tropicalinha”, neste domingo, dia 22 de agosto, às 16h, além de música e brincadeiras interativas para toda a família. A partir de sucessos de diversos artistas tropicalistas, a peça apresenta aos espectadores noções de cidadania, a importância da cultura e de construir uma sociedade mais diversa e justa. Na trilha sonora, estão sucessos como “Domingo no Parque”, “Aquele Abraço”, “Panis et Circenses”, “Leãozinho”, entre outras canções brasileiras marcantes. A live será transmitida no Facebook (facebook.com/DiversaoEmCena) e no canal no Youtube da Fundação ArcelorMittal (www.youtube.com/FundacaoArcelorMittal).

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