A merecida premiação de Casey Affleck no Globo de Ouro

A merecida premiação de Casey Affleck no Globo de Ouro

Rodrigo Fonseca

09 Janeiro 2017 | 02h06

Casey Affleck em

Casey Affleck em “Manchester à Beira-Mar”


RODRIGO FONSECA

Apontado há meses em sites de apostas para o Oscar (como o quente Awards Daily) como um potencial concorrente a estatuetas em 2017, Manchester à Beira-Mar fez de Casey Affleck o ganhador do Globo de Ouro de melhor ator de 2017, sendo este laureado com todos os méritos. Em meio à consagração de La La Land – Cantando Estações na competição de musicais/ comédias, com sete estatuetas, esta pequena produção, escalada para o certame de dramas, faz jus a toda a expectativa que criou para prêmios, desde sua aclamada passagem por Sundance em janeiro de 2016. Irmão mais novo de Ben Affleck, Casey não apenas desce às raias do mais penoso dos infernos num papel que é, de início, apatia plena, como redefine todos os conceitos do que seria intangibilidade emocional nas telas. Mas o longa-metragem do dramaturgo Kenneth Lonergan (autor de Essa Nossa Juventude) vai muito além da potência de seu ator principal: ele traz um novo arrazoado de caminhos dramatúrgicos para a construção de roteiros. Sua preciosidade maior reside aí, na dramaturgia, na maneira como ralenta as justificativas para as motivações e para as doenças emocionais de seus personagens. A trama é um fiapo de intriga, que ele vai encapando com memórias e com subenredos paralelos: o faz-tudo Lee (Casey) é avisado da morte súbita de seu irmão, portador de problemas cardíacos. Caberá a Lee a tutela de seu sobrinho de 16 anos. Mas para isso, ele terá de voltar à sua cidade natal, onde ardem fantasmas de uma tragédia pessoal.

E mais: num momento histórico, a Hollywood Foreign Press Association premiou Isabelle Huppert por Elle e deu a Moonlight o prêmio de melhor drama da noite, anunciado pelo mito Sylvester Stallone.