‘A Justiceira’, a arlequina da HBO e da Amazon

‘A Justiceira’, a arlequina da HBO e da Amazon

Rodrigo Fonseca

15 de abril de 2020 | 14h24

Rodrigo Fonseca
Foi injusto o fracasso de “Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” (2020), uma aula frenética de como se filmar sequências de luta, que arrecadou menos do que se esperava neste momento de busca por heroínas capazes de desopilar o cinema de ação do fel do sexismo, como fez “A Justiceira” (“Peppermint”, 2018), hoje na grade da HBOGo e no PrimeVideo da Amazon. Nesta quarta-feira, o longa-metragem protagonizada por Jennifer Garner entra na TV a cabo, na grade da HBO. Tem sessão às 16h25 desta tarde, com repeteco na sexta, às 9h e às 23h30. Adriana Pissardini dubla a atriz na versão brasileira do longa-metragem, que custou US$ 25 milhões. A atuação de Jeniffer é de uma solidez impecável. Há aqui uma série de inverossimilhanças de roteiro, em especial no processo de treinamento de combate de sua protagonista, mal explicado e nada convincente. Apesar delas, o novo longa-metragem do artesão francês Pierre Morel (realizador do fenômeno “Busca implacável) arranca de Jennifer Garner um tônus trágico que nutre de inquietação ética (e de poesia) seu debate sobre justiçamento fora dos códigos da Lei. A experiência de Jennifer na série de espionagem “Alias”, entre 2001 e 2006, garante à atriz texana o distanciamento necessário para fazer da viúva Riley North uma figura atormentada pela necessidade de devolver a ordem (e a segurança) a um mundo corrupto. Idealizado para abrir uma franquia, “A justiceira” – que faturou US$ 41 milhões no exterior – se apoia na precisão cirúrgica com que Morel filma perseguições para narrar a vingança de Riley contra os homens que mataram seu marido e filha. As frenéticas sequências de combate injetam litros de adrenalina a um thriller sobre os limites da tolerância em tempos de ódio. A fotografia de colorido saturado assinada por David Lanzenberg torna o realismo do longa mais sombrio.

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