A hora e a vez de Stallone… mas do Frank

A hora e a vez de Stallone… mas do Frank

Rodrigo Fonseca

13 de setembro de 2019 | 13h51


Rodrigo Fonseca
Estruturado como uma espécie de “Rastros de ódio” dos anos 2010, “Rambo: Até o fim” (lá fora “Rambo: Last blood”), com estreia prevista para quinta-feira que vem, está devolvendo a Sylvester Stallone o espaço (de seriedade e de prestígio pop) sob os holofotes da mídia, numa escala mundial, de que ele desfrutou, por mérito, nas décadas de 1970 e 80. Mas em paralelo à carreira do longa-metragem sobre o ex-combatente do Vietnã, pilotado pelo diretor Adrian Grunberg, um outro filme com o sobrenome de Sly no título chama a atenção no cenário dos festivais de cinema. No domingo passado, o diretor e produtor texano Derek Wayne Johnson recebeu o prêmio de melhor documentário no Burbank International Film Festival por seu mais recente exercício de investigação sobre a cultura do entretenimento dos EUA: “Stallone (Frank that is)”. Seu foco está no irmão mais moço do intérprete de Rocky Balboa, o cantor e músico Frank Stallone. Seu longa .doc explora a arte de resistir a partir das peripécias afetivas de um artista que tem, em sua família, um dos maiores astros que Hollywood já revelou. Derek tem ainda um filme sobre a história de “Rocky” para lançar e dirigiu, em 2016, um filme memorável sobre o diretor John G. Avildsen (1935-2017), chamado “King of Underdogs”.

Na entrevista a seguir, Derek fala ao P de Pop sobre o que aprendeu documentando a rotina de Frank e de seu mano famoso.

O diretor Derek Wayne Johnson (em foto de seu Facebook) com o troféu conquistado em Burbank por “Stallone (Frank that is)”


O que a trajetória pessoal e profissional de Frank Stallone revela sobre o showbiz dos EUA na atualidade? Ele é a prova de que ter um sobrenome famoso nem sempre torna as coisas mais fáceis para um artista que está num movimento para ser levado a sério. É tocante ver como ele soube se preservar apesar dos muitos altos e baixos por que passou. E segue na ativa.
Que músico Frank Stallone tornou-se dos anos 1970 para cá? Frank tornou-se um mestre no seu estilo, por ser um guitarrista que domina seu ritmo. E a voz dele encontrou um tom muito singular.
Qual é o maior legado dos irmãos Stallone? O talento.
Qual é a sua expectativa para “Rambo: Até o fim”? Vai o ser o melhor de “Rambo” em anos e vai se tornar um hit.

Em cifras corridas, contabilizadas entre 1982 e 2008, a franquia “Rambo” acumulou US$ 730 milhões nas bilheterias e uma fama das mais controversas, seja por seu flerte com o militarismo, seja por sua associação injusta com o conservadorismo e o intervencionismo dos Estados Unidos. Stallone, o Sylvester, foi defendê-la este ano na Croisette, numa homenagem do Festival de Cannes, em maio passado, em paralelo a uma exibição da cópia em 4K do primeiro longa-metragem dessa popular cinessérie: “First blood”, de 1982. O novo longa, centrado numa luta dele contra traficantes do México, resgata elementos trágicos do filme original, decalcado do romance homônimo do canadense David Morrell, fiel a um conceito autoral que norteia Sly como diretor e roteirista. Em todos os seus filmes mais pessoais – e a saga “Rambo” é um expoente disso, sua busca é para explorar (e libertar) “coisas que ficaram presas no porão”. No Brasil, Luiz Feier Motta dubla Sylvester, com brio.

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