À espera dos rugidos de Veneza

À espera dos rugidos de Veneza

Rodrigo Fonseca

27 de julho de 2020 | 09h49

Rodrigo Fonseca
Terça é dia de Veneza revelar as atrações de seu festival anual, cuja 77ª edição começa no dia 2 de setembro, com a dramédia “Lacci”, do romano Daniele Luchetti, seguindo até 12/9, com 50 produções internacionais e uma expectativa (extraoficial) de colocar “West Side Story”, de Steven Spielberg, na ribalta. Será a primeira das grandes vitrines do cinema de autor a fazer um evento físico, presencial, desde o início da pandemia, uma vez que Cannes teve de abrir mão de acontecer, em maio, por conta do pico da Covid-19 na França. No intuito de evitar uma avalanche de críticas relativas a precauções com a saúde de seus frequentadores, a maratona veneziana, que já beirou 250 atrações, baixou seu cardápio do ano, sem deixar pistas, até este momento, acerca de suas escolhas. Sabe-se apenas de Leões Honorários para a cineasta Ann Hui, de Hong Kong, e para a atriz inglesa Tilda Swinton. Entre os potenciais candidatos ao Leão dourado deste ano, o nome mais recorrente na boca das Cassandras do cinema é “On The Rocks”, de Sofia Coppola. Esta “dramédia” é calçada no carisma de Bill Murray como um pai ricaço em busca de uma reinvenção afetiva com sua filha. Fortíssima também é a boataria em torno de “Lingui”, do chadiano Mahamat-Saleh Haroun, sobre uma mãe muçulmana às voltas com o desejo de sua filha adolescente, grávida, de fazer um aborto. Haroun ganhou fama mundial há dez anos, ao conquistar o Prêmio do Júri de Cannes com “O Homem Que Grita”. À época, 2010, ele era o único diretor de longas de ficção em atividade no Chade. Hoje, é um dos nomes mais aclamados do continente africano quando se pensa em cinema. Acredita-se ainda que o egípcio A.B. Shawky vá tentar uma vaga na briga por prêmios com um drama sobre o cotidiano do Cairo.

Arroz de festa do momento, presente sobretudo onde não é chamado, Taika Waititi, da Nova Zelândia, pode concorrer com a comédia “Next Goal Wins”, sobre a volta por cima (ou quase isso) de um time de futebol furreca, tendo Michael Fassbender como técnico. E Tom Hanks é outro medalhão que pode elevar o coeficiente de estrelas do Lido, à frente de “News of the World”, um bangue-bangue de Paul Greengrass.

Michael Fassbender em “Next Goal Wins”

É forte a torcida para que o japonês Hayao Miyazaki, o Walt Disney da Ásia, finalize seu novo desenho animado, “How Do You Live?”, a tempo de concorrer. A animação dele fala de um rapaz às voltas com os ritos de passagem da adolescência. A França vai atacar com Balzac, numa adaptação de “A Comédia Humana”, com direção de Xavier Giannoli, tendo o mito Gérard Depardieu em cena. O veterano ator ainda regressa pelas vias literárias de Georges Simenon em “Maigret et la jeune morte”, de Patrice Leconte. Ganhador do Leão de 2012 com “Pietá”, o sul-coreano Kim Ki-Duk volta à peleja por prêmios com um thriller animado de tons existenciais, ainda sem título. E deve ter argentino em competição também: Santiago Mitre, de “Paulina” (2015), vai ter um thriller pra lançar, chamado “Petite Fleur”. Nele, Daniel Hendler vive um sujeito obcecado com a ideia de que seu vizinho é um inimigo, optando por assassiná-lo. O problema é que este renasce a cada dia, misteriosamente. De língua portuguesa, rumores cercam “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, de João Botelho, com Chico Diaz, que estreia em terras lusas no dia 24/9. E tudo indica que Veneza vai receber o primeiro trabalho da atriz alemã Fanka Potente (“Corra, Lola, Corra”) como diretora: “Home”, com Kathy Bates. Do cinema nacional, há rumores acerca de “Pedro”, de Laís Bodanzky, mas nada foi fechado.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: