A Anna Magnani de Maringá dá à Croisette a atuação de uma vida em ‘Aquarius’

A Anna Magnani de Maringá dá à Croisette a atuação de uma vida em ‘Aquarius’

Rodrigo Fonseca

17 de maio de 2016 | 11h32

Aqaurius

 

Artesão da sutileza, alinhado aos grandes mestres do suspense nas telonas, o pernambucano Kleber Mendonça Filho levou à disputa pela Palma de Ouro do 69° Festival de Cannes algo diferente de tudo o que se espera do gênero – e até do cinema brasileiro – com Aquarius, um thriller sobre preservação seja das memorias (afetivas ou culturais) seja da integridade de Recife como uma das maiores metrópoles do Brasil. A recepção local se expressa por um clima de “Já ganhou!” para Sonia Braga, comparada pela imprensa europeia a mitos como a italiana Anna Magnani por sua atuação devastadora. Numa estrutura narrativa que lembra A Conversação (1974), de Francis Ford Coppola, o longa explora o clima de paranoia em torno de uma jornalista sexagenária cujo prédio está em negociação para ser vendido – o que não vai acontecer se depender da vontade dela. Num controle cirúrgico das ferramentas da tensão, Kleber ainda arranca de Humberto Carrão uma interpretação acachapante, fazendo dele uma espécie de discreto vilão. Gol do Brasil em Cannes!

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