‘7500’, pânico nas alturas… e no streaming

‘7500’, pânico nas alturas… e no streaming

Rodrigo Fonseca

18 de junho de 2020 | 09h43

Joseph Gordon-Levitt ganha uma segunda chance de brilha no audiovisual em “7500”, no papel de um piloto às voltas com um atentado terrorista em um voo Berlim x Paris

Rodrigo Fonseca
Na peleja dos streamings por audiência, com Spike Lee do lado da grande N e a volta de “Tieta do Agreste” com Betty Faria no Globoplay, o Prime Video chuta a gol, a partir desta quinta, na grade da Amazon, tendo Joseph Gordon-Levitt como atacante, em “7500”, longa-metragem que saiu ovacionado do Festival de Locarno, na Suíça, em 2019. Repaginado como Amazon Original, este thriller aéreo dirigido pelo alemão Patrick Vollrath (indicado ao Oscar pelo curta “Tudo Ficará Bem”) pode levar o astro de “(500) Dias Com Ela” (2009) às alturas (literalmente) de novo. Faz tempo, desde o naufrágio comercial de “Snowden: Herói ou Traidor” (2016), de Oliver Stone, que Gordon-Levitt não conquista holofotes à altura de seu talento, testado e aprovado com louvor em parcerias com Christopher Nolan (“A Origem” e “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”) e Spielberg (“Lincoln”). Houve um tempo em que ele foi cotado para dirigir – e quiçá estrelar – uma versão para as telas da HQ “Sandman”, mas nada avançou. Ele andava às voltas com um novo projeto de direção, uma comédia musical chamada “Wingman”, com fôlego para dar seguimento a uma trajetória como cineasta aberta em 2013, com “Don Jon – Como Não Perder Essa Mulher”. Mas, nesse campo, como realizador, seu caminhar deu uma parada. Mas, seu nome volta agora à ribalta com o filme de Vollrath.
“Joseph faz um personagem que foge do heroísmo, sendo alguém que se impõe por suas escolhas e não por gestos de ação”, explica Vollrath ao P de Pop do Estadão. “Trata-se de um experimento com a dinâmica da tensão”.

Nascido em Eisdorf, na Alemanha, há 35 anos, Vollrath formou-se como realizador na Áustria, tendo Michael Haneke (ganhador da Palma de Ouro de 2009, por “A Fita Branca”, e a de 2012, por “Amor”) como tutor e amigo. Há, em “7500”, uma relação imediata com o cinema de Haneke no senso de desastre anunciado que rege o filme, assim como há na maneira crítica com Patrick estuda a xenofobia e outras formas de intolerância. Na aviação, 7500 é o código de emergência para um sequestro de avião. No caso da longa, terroristas usam cacos de vidro de garrafas compradas em um Dutty Free para tomar a aeronave. Filmado em um cockpit em um estúdio de Colônia, a narrativa de Vollrath se concentra no perímetro da cabine de pilotagem assim que o voo decola e ali fica, mesmo quando um grupo armado de vidros quebrados ameaça a vida dos tripulantes, colocando a jugular deles na mira do ódio. Gordon-Levitt pilota a nave, no papel de Tobias Ellis.
“Não existe revanchismo, embora vejamos situações em que a vingança seria possível. Mas o que existe na figura vivida por Jospeh é uma necessidade de interromper o ciclo da violência”, diz Vollrath. “Trabalhei com meu fotógrafo, Sebastian Thaler, de modo a explorar o potencial imagético do espaço do cockpit, com as luzes do painel e a escuridão da noite”.

Nas telas, o ex-piloto da Lufthansa Carlo Kitzlinger vive um dos pilotos, Michael, ao lado de Gordon-Levitt. Já Omid Memar e Murathan Muslu interpretam dois dos terroristas.

p.s.: Tem ecos de Monty Python na Globo, nesta madrugada, às 2h40: “Absolutamente Impossível” (“Absolutely Anything”, 2015) vai ser exibido na telinha, trazendo a grife de picardia de Terry Jones. Integrante do grupo britânico de ases da gargalhada, o ator e diretor de cults como “As Aventuras de Erik, o Viking” (1989) morreu em janeiro, aos 77 anos. Na produção que será exibida nas primeiras horas desta sexta, Simon Pegg vive Neil, um professor desiludido, que vê sua vida mudar após ser atropelado por uma van e atingido por um raio alienígena. Os ETs dão a ele poderes sobre-humanos. Com eles, Neil pode fazer tudo que quiser: desde calar a boca de seus alunos até ressuscitar pessoas. O problema é saber utilizar as palavras certas para conseguir o que quer. A ironia de Jones está em cena, na direção, garantindo o riso.

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