15 potenciais concorrentes ao Urso de Ouro

15 potenciais concorrentes ao Urso de Ouro

Rodrigo Fonseca

18 de janeiro de 2022 | 12h45

“Alcarrás” é um estudo do universo rural espanhol feito por Carla Simón

RODRIGO FONSECA
Em meio ao 24º Rendez-Vous Avec Le Cinéma Français, fórum europeu de promoção de filmes produzidos em Paris, Nice, Marselha e arredores, muito se comemorou a presença de “Peter von Kant”, de François Ozon, na abertura da 72ª Berlinale (10 a 20 de fevereiro), concorrendo aos prêmios do júri oficial, presidido pelo indiano radicado na Filadélfia M. Night Shyamalan. E muito se especulou sobre a potencial presença de “Feu”, de Claire Denis, na competição pelo Urso de Ouro de 2022, do qual nada se sabe. O anúncio de quem disputa a láurea germânica será feito neste 19 de janeiro. Há uma expectativa de que o Brasil possa entrar no páreo com “Regra 34”, de Julia Murat, uma trama sobre uma advogada feminista que enfrenta ranços do machismo estrutural brasileiro. Cogita-se ainda a presença de “Paloma”, de Marcelo Gomes. O realizador de “Joaquim” (2017) pode voltar ao festival que sempre o acolhe para narrar a luta de uma mulher trans para se casar na igreja, à moda antiga, em um rincão machista do Nordeste. Mas nada está certo. O que o Festival de Berlim anunciou a mais sobre a participação brasileira é a escalação de “Fogaréu”, da diretora goiana Flávia Neves, vai estar na seção Panorama. É uma trama na fronteira entre o real e o fantástico, entre o passado colonial e a modernidade avassaladora do agronegócio, onde a cidade de Goiás é palco do encontro entre a jovem Fernanda (Bárbara Colen) e suas secretas raízes. Ela volta para a casa de seu abastado tio, após a morte de sua mãe adotiva, a fim de implodir certezas e deixar surgir a dolorosa verdade sobre sua origem.
Acerca das atrações estrangeiras, cogita-se que Robert Eggers e seu brutal “The Northman”, sobre vikings em fúria, estarão na capital alemã. O ESTADÃO arrisca aqui uma seleção de possíveis títulos da disputa pelo Urso dourado:

Filmagem de “Los Viejos Soldados”, de Jorge Sanjinés

1. “MUSIK”, DE ANGELA SCHANELEC (Alemanha): Três anos depois de conquistar o prêmio de melhor direção no próprio Festival de Berlim por “Eu Estava Em Casa, Mas…” (2019), a realizadora alemã volta ao evento com um drama regado a Complexo de Édipo. Na trama, um rapaz germânico criado por uma família adotiva na Grécia mata um sujeito sem saber que este é seu pai biológico. Na prisão, ele viverá uma história de amor com uma agente penitenciária mais velha, sem saber que esta é sua mãe verdadeira.
2. “ALCARRÀS”, DE CARLA SIMON (Espanha): Com base em um elenco de atores não profissionais de Lleida, a realizadora de “Verão de 1993” (2017) acompanha a realidade de trabalhadores rurais ibéricos de uma cidadezinha catalã. A morte de um patriarca local detona crises afetivas entre os moradores da região.
3. “SUBTRACTION”, DE MANI HAGHIGHI (Irã): O maior bamba do humor no cinema iraniano aposta em uma narrativa de mistério para falar de conterrâneos que tentam escapar das censuras de seu regime político.
4. “SHARPSHOOTER”, DE Zhang Yimou (China): No dia 1º de fevereiro, o realizador de obras-primas como “Sorgo Vermelho” (1988), “Nenhum a Menos” (1999) e “Herói” (1992) volta às telas chinesas com a história de um atirador de elite que derrotou dezenas de americanos na Guerra da Coreia, nos anos 1950. Mas o fato de ele estrear lá não o impede de concorrer em Berlim.
5. “MY POLICEMAN”, DE MICHAEL GRANDAGE (EUA): O diretor de teatro inglês responsável pelo cult “O Mestre dos Gênios” (2016) volta às telas adaptando o romance de Bethan Roberts sobre a cena LGBTQ+ inglesa dos anos 1950 a partir do confronto entre um policial (Rupert Everett) e seus desejos.

Cartaz do novo Yimou: “Sharpshooter”

6. “THE BATMAN”, DE MATT REEVES (EUA): Uma vez que Berlim fechou sua programação de 2017 com “Logan”, de James Mangold, seria bem provável vermos Robert Pattinson emprestando todo o seu carisma ao jovem Bruce Wayne numa Gotham doentia, assombrada pelo gângster Oswald Cobblepot, o Pinguim, confiado a Colin Farrell, e um psicopata cheio de enigmas apelidado de Charada (Paul Dano.
7. “FEU”, DE CLAIRE DENIS (França): A diretora de “Bastardos” (2013) põe Juliette Binoche num dilema amoroso entre um amor maduro do passado e um querer jovial do presente. Vincent Lindon integra o elenco.
8. “CHOCOBAR”, DE LUCRECIA MARTEL (Argentina): Quatro ano depois do aclamado “Zama”, a diretora argentina aposta nas narrativas documentais, explorando os bastidores políticos da morte do militante indígena Javier Chocobar por latifundiários.
9. “LES PASSAGERS DE LA NUIT”, DE MIKHAËL HERS (França): O realizador de “Amanda” (2018) dá a Charlotte Gainsbourg o papel de uma mãe de família que, abandonada pelo marido, vira radialista e adota uma jovem como sua protegida, passando por uma reeducação sentimental.
10. “THE OCCUPIED CITY”, DE STEVE MCQUEEN (Inglaterra): Um estudo documental do diretor de “Small Axe” sobre a ocupação dos nazistas na Holanda, a partir de uma pesquisa arquitetônica.

Juliette Binoche e Vincent Lindon estrelam longa de Claire Denis: “Feu”

11. “THE WAY OF THE WIND”, DE TERENCE MALICK (EUA): Apoiado num elenco monumental (Matthias Schoenaerts, Mathieu Kassovitz, Aidan Turner, Mark Rylance, Ben Kingsley), o realizador de “A Árvore da Vida” (2011) investiga a vida de Cristo por ângulos inusitados.
12. “LOS VIEJOS SOLDADOS”, DE JORGE SANJINÉS (Bolívia): O veteraníssimo diretor de “A Nação Clandestina” (1989) regressa à ficção para narrar a jornada de um grupo de revolucionários da América Latina hoje, numa luta contra contratempos do capitalismo.
13. “HOW DO YOU LIVE”, DE HAYAO MIYAZAKI (Japão): Berlim está sempre atenta às boas novas do Studio Ghibli, cujo patrono parece ter, enfim, finalizado o seu novo desenho animado sobre o processo de amadurecimento de um rapazinho e a sua convivência com um tio e os amigos.
14. “PETITE FLEUR”, DE SANTIAGO MITRE (Argentina): No novo filme do realizador de “Paulina” (2015), o ator uruguaio Daniel Hendler vive um homem obcecado com a ideia de que o seu vizinho é um inimigo.
15. “LA CONVERSIONE”, DE MARCO BELLOCCHIO (Itália): O mestre do Cinema Novo Italiano recria o sequestro do menino Edgardo Mortara, filho de judeus da Bolonha, que foi raptado em 1858 e criado como católico.

p.s.: Sexta começa a 25ª Mostra de Tiradentes. Eis os títulos do Aurora 2022: “Seguindo todos os Protocolos” (PE), de Fábio Leal; “A Colônia” (CE), de Virgínia Pinho e Mozart Freire; “Sessão Bruta” (MG), de As Talavistas e ela.ltda; “Panorama” (SP), de Alexandre Wahrhaftig; “Maputo Nakurandza” (RJ-SP), de Ariadine Zampaulo; “Bem-vindos de Novo” (SP), de Marcos Yoshi; e “Grade” (MG), de Lucas Andrade.

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