‘120 Batimentos’ de ética e estética

‘120 Batimentos’ de ética e estética

Rodrigo Fonseca

27 Dezembro 2017 | 17h58

“120 Batimentos Por Minuto”: filme-piquete hoje no Estação Net Gávea

Rodrigo Fonseca
Daqui a pouquinho, às 19h10, desta quarta, 27 de dezembro, o Estação NET Gávea vai projetar um dos filmes mais corajosos da França, ética e esteticamante, no pacotão de atrações que integram a comemoração dos dez anos deste simpático cinema da Zona Sul carioca: 120 Batimentos Por Minuto. Agraciado em Cannes com o Grande Prêmio do Júri e com a Láurea da Crítica, votada pela Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica (Fipresci), a produção dirigida por Robin Campillo (roteirista de Entre os Muros da Escola) terá sessões neste fim de semana no Estação Net Rio (sábado, 21h30) e no Estação Net Barra Point (21h, também no dia 30). Realizador do filme de zumbi Les Revenants (2004) e da premiada love story gay Meninos do Oriente (2013), Campillo virou celebridade na Europa por conta da adesão da imprensa e de ONGs a seu comprido (mas tocante) longa-metragem. Nele, o cineasta recria a luta da célula ativista AIDS Coalition to Unleash Power (ACT UP), criada por uma entidade homoafetiva em 1987, em prol da guerra contra o HIV. Sua narrativa feérica, que se constrói em cena como um piquete, abrindo afluentes para microenredos amorosos, revive a batalha do ACT UP de Paris nos anos 1990 com uma câmera nervosa.

“O filme muda, entre extremos de denúncia e de romance, porque os corpos mudam, num indício de que estão vivos, e em constante embate com a natureza, e as forças que a alimentam, inclusive a ficção”, explicou Campillo ao P de Pop em Cannes. “As pessoas que estão em cena, unidas por uma causa, circulam por ambientes muito diferentes, sejam clubes, sejam passeatas, sejam locais onde protestam, numa contínua metamorfose. Mas a essência delas não se perde. E não se perde a memória do que se viveu. Na França dos anos 1990, a chegada de um filme como Filadélfia, com Tom Hanks, foi muito importante para que entendêssemos a presença da Aids entre nós. Era um filme com grandes estrelas. Agora, o tempo passou… Precisamos de ação”.