Xuxa: rainha do funk?
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Xuxa: rainha do funk?

Murilo Busolin Rodrigues

23 de janeiro de 2021 | 19h00

Confesso que, procurei exaustivamente, pelos lançamentos mais recentes e interessantes para escrever a coluna dessa semana, mas nada me chamou mais a atenção do que finalmente ter lido toda a biografia da minha, da sua, da nossa, eterna ‘Rainha dos Baixinhos’, Xuxa.

‘Memórias’ é uma conversa pra lá de ‘sincerona’. FOTO : Divulgação / XUXA

E eu digo isso na mesma semana em que foram anunciados os participantes do Big Brother Brasil 21, lotado de subcelebridades e de um hype que se esvaziou rapidamente (até o momento).

Memórias foi lançado em setembro de 2020 (R$ 24,90 a versão física na Amazon e R$ 28,40 no Kindle), e conta a história da apresentadora. Maria da Graça Xuxa Meneghel era para se chamar Morgana (!), chegou ao mundo quase que por um milagre e, desde  cedo, já demonstrava características de uma pessoa que iria brilhar mundo afora.

Qual foi seu programa favorito da Rainha dos Baixinhos na década de 90 – 2000 ? FOTO : Divulgação / Xuxa

O livro me trouxe a sensação tanto de uma conversa  sincera quanto um desabafo pesado de uma amiga de infância. Xuxa narra seus infelizes  abusos sem medir detalhes, sua trajetória e bastidores no mundo da moda, música e TV, além, é claro, de citar seus relacionamentos que pararam o Brasil e seus insuperáveis recordes de audiência e vendas.

Marcando não só uma e sim diversas gerações, como não se lembrar de seus programas televisivos, como o Planeta Xuxa, e hits atemporais como Ilariê e até o hino infantil Cinco Patinhos?

Xuxa foi o meu primeiro exemplo de ídolo e, nesta semana descobri mais um motivo que me fez ter ainda mais orgulho em me assumir um “ex-baixinho”. A apresentadora foi – acredite – uma das pessoas responsáveis por ajudar a disseminar o funk na cultura brasileira.

E quem soltou essa preciosa informação foi ninguém menos que o DJ Marlboro, um dos precursores do movimento.

Quem diria que a Xuxa foi peça importante para que funk se tornasse tão popular como é nos dias de hoje? FOTO: Divulgação / Paradão da Xuxa

Ele confirmou que a cantora e Marlene Mattos, sua empresária na época, tiveram um papel importante. A história foi contada na  websérie de 10 episódios Funk Brasil Entrevista, apresentada por João Brasil e disponível no canal do YouTube da Mídia Ninja.

A novidade vai trazer entrevistas com os pioneiros do estilo no País às terças e quintas, às 19h.

Segundo Marlboro, o funk ainda estava tomando forma no Brasil e atingia o ápice de sua discriminação quando a apresentadora bateu o pé para incluir o batidão em seu filme Lua de Cristal (1990) e, futuramente, em seu programa Paradão da Xuxa.

O longa, estrelado por Xuxa e Sérgio Mallandro, conta com a participação de um paredão de funk na cena em que Maria da Graça chega à cidade grande. Os MCs do Movimento Funk Clube a abordam com uma apresentação, enquanto a personagem se depara com a realidade do Rio de Janeiro.

Marlboro percebeu o inesperado: Xuxa era uma funkeira nata e fazia questão de sair do seu luxuoso camarim para ficar na tenda simples de gravação dos MCs.

A partir daí, Xuxa passou a incluir o funk com  frequência em seus programas, o que fez com que a música vencesse a barreira do preconceito e fosse solicitada em diversas emissoras na TV aberta.

“Pô, não é uma música de negro, pobre e favelado? Como é que uma loira, rica, de olho azul, gosta e tá dançando funk na televisão?”, enfatiza o músico. Pois é, Xuxa não é só um ícone vivo do pop como a eterna Rainha dos Baixinhos.

Agora, ela pode ser conhecida também como a mão amiga para o Brasil rebolar sem pudor.

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