‘Viúva Negra’ é bom? Mesmo?
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‘Viúva Negra’ é bom? Mesmo?

Murilo Busolin Rodrigues

10 de julho de 2021 | 23h00

Após vinte e três filmes da Marvel, cerca de sete anos de promessas e uma pandemia inesperada e persistente, o tão aguardado longa da Viúva Negra foi lançado mundialmente, na última quinta (8).

Eu, consumidor moderado da franquia, estava com as expectativas quase zeradas, já que a espiã russa teve um trágico desfecho no icônico Vingadores: Ultimato (2019).

Terminei-o contemplado? Sim! Mas ainda assim me questionei se a produção era de fato necessária em julho de 2021. Não, infelizmente não era.

Natasha e Yelena sãos os grandes destaques de ‘Viúva Negra’. Podemos esperar Florence Pugh marcando presença nos próximos capítulos da Universo Marvel. FOTO: Divulgação/Disney/Marvel

 

Natasha Romanoff era a única personagem feminina da formação original dos Vingadores que não havia ganhado uma obra sobre a sua história de origem.

Essa falta também acometeu o quase que apagado Gavião Arqueiro, que em breve terá uma série original da Disney+.

Decidi não pagar os polêmicos R$ 70 adicionais de um assinante mensal da Disney+ para assistir a produção em casa e, utilizando máscara N95 e cumprindo todos os protocolos e cuidados estabelecidos, encarei uma sala de cinema (vazia) após muito tempo.

Para os curiosos, escolhi o Cinemark de Botafogo (RJ) e, para me sentir mais seguro, consultei as poltronas pelo site da bilheteria.

Chuto que mais de 80% das cadeiras estavam bloqueadas por conta das normas e não havia mais do que 20 pessoas espalhadas no gigantesco espaço.

Florence Puth, que interpreta Yelena no longa, definiu a família fake de espiões como ‘Uma família russa louca, alienada e barulhenta’. FOTO: Disney/Marvel

Minha ousada experiência fez com que o filme se tornasse mais interessante do que ele de fato é. Tenho certeza que o título da coluna seria outro se tivesse assistido no sofá de casa.

O primeiro ponto é que o roteiro é ágil e entrega elaboradas cenas de ação, mas a maioria me fez questionar o verdadeiro limite de muitos personagens.

O maior exemplo disso é a própria Natasha (Scarlett Johansson), que, sim, é uma espiã superpoderosa, já derrotou vilões de outros planetas mas, no fim das contas, é um ser humano comum, sem superpoderes para passar ilesa a quedas de chaminés e diversas explosões de carros.

Relevei, é a Marvel.

Conhecemos o frio passado de Natasha e o seu elo com a família fake formada por seu ‘pai’ Alexei (Capitão Vermelho), a ‘mãe’ Melina e a pra lá de interessante ‘irmã’ Yelena Belova.

Anote esse último nome: a personagem interpretada por Florence Pugh é uma das peças-chave nos próximos filmes do universo MCU – e com isso eu quero dizer cena extra após os créditos.

As cenas de afeto e desafeto entre esses quatro personagens destacam tudo aquilo que Romanoff contribuiu enquanto fez parte dos Vingadores. Simbólicas doses de carinho, mágoa e frustração, sentimentos que colocavam até o mais poderoso herói com os dois pés no chão.

Sabemos que a Viúva Negra é extremamente poderosa, mas ela está quase imortal em seu próprio filme solo. Vamos relevar, né? FOTO: Disney/Marvel

O grande lance de Viúva Negra é a vontade de Natasha e Yelena aniquilarem o comandante Dreykov, destruindo o seu clichê e maléfico plano opressor em transformar meninas do mundo inteiro em espiãs quase que robóticas, incluindo uma típica lavagem cerebral.

A linha de tempo do filme fica entre Capitão América: Guerra Civil e Vingadores: Guerra Infinita. É uma despedida modesta com gostinho de “poderia ter sido muito mais” para uma das personagens mais emblemáticas de Vingadores e da carreira de Scarlett Johansson.

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