Vírus, bossa nova e novela
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Vírus, bossa nova e novela

Murilo Busolin Rodrigues

15 de agosto de 2020 | 20h00

Consumi diversos conteúdos aleatórios no streaming nessa última semana, de filmes e séries que estavam “engavetados para mais tarde” até os recém-lançamentos musicais da última sexta-feira, 14. Particularmente, gostei de todos, e acho que não poderia deixar em branco a minha humilde opinião sobre os pontos positivos de cada uma dessas produções.

Boca A Boca (Netflix). A novidade conta o mistério por trás da suposta transmissão viral por beijos, que faz com que a maioria dos adolescentes da cidade de Progresso adoeça de uma maneira bizarra e inexplicável.

Mais bizarro que isso só o fato de mais uma produção brasileira sobre contágios (a primeira foi Reality Z) estrear na plataforma em meio a uma pandemia. Alex, Fran e Chico são os personagens principais da ficção, que possui uma direção de arte tão competente quanto a de Euphoria (HBO).

Drama, preconceito, libertação, experimentação, e afeto marcam a produção brasileira que é interessante o suficiente para que você assista aos seis episódios totais em um único dia.

FOTO: Netflix

Coisa Mais Linda (2 temporadas /Netflix). Demorei, mas finalmente maratonei esse original belíssimo recheado de drama e música. A história se inicia com a paulistana Malu (interpretada por Maria Casadevall), que foi abandonada e roubada pelo marido, e então se muda para o Rio de Janeiro com o sonho de abrir um clube de música ao vivo, o Coisa Mais Linda.

Com o encanto da boemia carioca como plano de fundo, Malu se une às outras protagonistas, interpretadas por Pathy Dejesus, Mel Lisboa, Fernanda Vasconcelos e Larissa Nunes, que juntas lidam com temas históricos e sensíveis, como o machismo e racismo, persistentes da década de 1960 até os dias de hoje. Coisa Mais Linda é realmente a coisa mais linda que assisti nos últimos tempos.

As protagonistas da segunda temporada de ‘Coisa Mais Linda’. FOTO: Netflix.

Little Fires Everywhere (Amazon Prime Video). Eu já havia comentando sobre o lançamento aqui, mas me rendi à série, feita para incomodar. Reese Whiterspoon interpreta – o que deve ser o décimo papel semelhante em sua carreira – a jornalista Elena, mãe recheada de privilégios e fantasmas do passado, que refletem na criação doutrinada de seus quatro filhos.

Já Kerry Washington protagoniza a artista Mia Warren, que vive mudando de cidade e aluga a antiga casa de Elena, em Shaker Heights. Mia chega acompanhada de sua filha Pearl, um dos destaques dessa ótima novela.

A vida das duas protagonistas se entrelaça de uma maneira em que as críticas sociais são escancaradas cena após cena. Nem Elena e nem Mia são o que aparentam ser de início.

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Demorou, mas veio

Após o festival de promessas desde 2018, a multifacetada Miley Cyrus finalmente apresentou o seu novo single, Midnight Sky. Unindo o tom grave de sua voz com o sample de Stand Back da bruxona do rock Stevie Nicks, a música é envelopada com uma produção oitentista e chegou acompanhada de um videoclipe (dirigido pela própria) fortemente inspirado em Debbie Harry e Joan Jett, grandes e declaradas inspirações de Miley.

Sempre confiante e experimental, Cyrus manteve a sua essência criativa.

Eu aprovei e dancei com a nova personalidade e vocês?

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