Vale a pena se indignar com premiações?
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Vale a pena se indignar com premiações?

Murilo Busolin Rodrigues

06 de fevereiro de 2021 | 21h00

Quase seis meses após a minha indignação pela esnobada que o Emmy deu na segunda e intocável temporada de Pose, venho aqui mais uma vez, humildemente, expressar meus sentimentos pela falta de indicação ao Globo de Ouro da melhor série de 2020, I May Destroy You.

A produção que melhor retratou, nos últimos anos, a vida dos que podemos chamar de novos adultos (entre 25 a 30 anos), tocando em temas importantes e ao mesmo tempo caóticos, não recebeu qualquer nomeação à premiação mais ‘fora da curva’, das que julgam trabalhos feitos para a TV.

É tempo de parar de se revoltar com indicações e apenas apreciar uma obra? FOTO: I May Destroy You/HBO

Entre as indicadas à Melhor Série – Drama de 2020 temos: Ratched, Ozark, The Mandalorian, The Crown e a impactante Lovecraft Country. Na categoria Melhor Série – Comédia ou Musical de 2020, a disputa fica entre Ted Lasso, The Great, The Flight Attendant, Schitt’s Creek e a amada e odiada Emily in Paris.

A obra de Michaela Coel poderia ter sido, ao menos, indicada nessas duas categorias do prêmio, mas não foi, e muito menos entre as concorrentes de Melhor Atriz. Nenhuma explicação seria boa o suficiente para compensar essa bola fora. É um absurdo do mesmo tamanho que as zero indicações de The Weeknd ao Grammy deste ano.

Michaela fez praticamente tudo em I May Destroy (HBO GO), desde a criação até o protagonismo, e a série ainda por cima foi baseada em uma infeliz experiência da vida real. Há muito tempo, uma produção não conseguia deixar o telespectador tão impactado com a crua representação de um abuso sexual e as mais obscuras consequências após o ato, para quem sobrevive.

The Weeknd está investindo milhões do próprio bolso para o o halftime show no Super Bowl deste domingo, 7. Vem indireta para o Grammy? FOTO: Reprodução/Instagram @theweeknd

Afinal, ainda precisamos ficar estupefatos com grandes premiações ignorando as obras mais elogiadas pela crítica especializada e, principalmente, as que agradaram o grande público? Faz parte do show manter esnobados de alto escalão na busca pela audiência, eu sei, mas ainda assim é difícil de engolir certas injustiças.

Seria melhor nos acostumarmos que sempre existirão indicações e esnobadas inacreditáveis como as nomeações do fraquíssimo álbum Intentions, de Justin Bieber, ao Grammy e a de Melhor Ator, neste Globo de Ouro, para James Corden em A Festa de Formatura.

James Corden indicado como Melhor Ator por ‘A Festa de Formatura’ é aquela piada que ninguém entende e ri por desconforto. FOTO: Reprodução/Netflix

Já estou com idade suficiente para me acostumar, mas, quando sentir necessidade, venho aqui e escrevo sobre.

Enquanto isso, Michaela Coel segue sendo uma gênia e o The Weeknd deve fazer o maior e mais espetacular halftime show de todos os tempos no Super Bowl neste domingo.

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