‘Pose’ é grande demais para o Emmy
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‘Pose’ é grande demais para o Emmy

Murilo Busolin Rodrigues

02 de agosto de 2020 | 08h56

‘Estou cansada’. Essas foram as palavras ditas por uma voz embargada em meio a muitas lágrimas que escorreram durante a transmissão ao vivo de Angelica Ross, uma das incríveis atrizes da série Pose (1ª temporada na Netflix).

Angelica Ross desabafou durante live em seu Instagram. FOTO: Reprodução | @angelicaross

As lágrimas vêm carregadas de uma luta sem holofotes. Na última semana, foram anunciados os indicados à 72ª edição do Emmy, considerada a premiação mais importante da TV americana, e que nesse ano serão entregues virtualmente por conta da eterna pandemia.

Watchmen (HBO) lidera a lista com 26 indicações, sendo sete nas principais categorias. The Marvelous Mrs. Maisel (Amazon Prime Video) e Ozark (Netflix) são outras que conseguiram se destacar nas indicações mais importantes. São ótimas séries, mas aqui não temos nada novo sob o sol. É praticamente a mesma lista de anos atrás.

Representatividade: Pose tem o maior elenco de transsexuais da história da televisão.

E Pose? A impressionante produção de Ryan Murphy focada na luta LGBTQIA+ dos anos 1980/1990 apresentou uma segunda temporada excepcional e garantiu as maiores e melhores críticas especializadas durante o ano de 2019. Mesmo com tanto, as principais atrizes foram completamente esnobadas.

Do elenco em questão, apenas Billy Porter concorre como Melhor Ator em Série de Drama’. Pose tem o maior elenco de transsexuais da história da televisão. Todas as envolvidas no núcleo principal evoluíram e entregaram atuações impecáveis, tanto que os veículos norte-americanos não pouparam elogios.

A personagem Candy, interpretada por Angelica – com quem abri esse texto – participou de várias das cenas mais dramáticas e representativas na última temporada da série. Nenhum passo atrás do que foi entregue nas representações feitas por Helena Bonham Carter, Laura Dern, Julia Garner, Thandie Newton, Fiona Show, Sarah Snook, Samira Wiley e a intocável Meryl Streep, indicadas ao prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante.

FOTO: Fox – Reprodução

Como a própria Angelica disse, as suas lágrimas não foram resultado apenas de uma premiação. “As pessoas que me conhecem sabem que eu não trabalho só na frente ou atrás das câmeras, mas sim 24 horas por dia, tentando fazer nossa sociedade valorizar vidas trans, e especialmente vidas trans negras.”

Não se trata apenas de luxuosos bailes e de tendências criadas por gays e, hoje, abraçadas também por héteros. É uma dramaturgia exagerada, atrelada a uma boa dose de referências e figurinos de cair o queixo.

É sobre família, sobre dar voz aos marginalizados, é abordar com sutileza a destruição que o HIV causou na vida de milhares . A série é revolucionária e grandiosa demais para o Emmy. Assista.

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Direto ao ponto

Na pegada do tema principal da semana, destaco o trabalho do ator Gabriel Comicholi (@gabrielcomicholi). Gabe, que também é youtuber (bit.ly/gabetube) descobriu ser portador do vírus HIV e decidiu contar para o mundo por meio de suas redes sociais.

Com muita informação, humor único e sem poupar realidade, o ator combate preconceitos e fake news com seus IGTV’s, stories e demais produções. Ele também está no documentário Cartas Para Além dos Muros (Netflix), que narra a evolução do vírus no Brasil ao longo de três décadas.

Gabriel Comicholi tem humor único e não poupa realidade em seus conteúdos sobre o HIV. FOTO: Reprodução – Instagram

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