Olimpíada do follow: de atletas a influenciadores
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Olimpíada do follow: de atletas a influenciadores

Murilo Busolin Rodrigues

07 de agosto de 2021 | 19h00

Você seguiu nas redes sociais algum dos atletas brasileiros que se destacaram na Olimpíada de Tóquio?

Eu duvido que a sua resposta seja não. As 12 horas de fuso horário do Japão não foram um empecilho para o torcedor brasileiro tirar do banho-maria o seu lado patriota durante a competição.

Douglas, Rayssa e Rebeca: os campeões de seguidores e engajamento das Olimpíadas de Tóquio 2020. FOTOS: Estadão Conteúdo

Só no período de 19 a 26 de julho, o Brasil ficou com a medalha de prata entre os países que mais tuitaram sobre os jogos – um total de mais de 12 milhões de tuítes, entre gifs, memes, euforia e é claro, muitos palavrões.

O jogador de vôlei da seleção e campeão olímpico de 2016 Douglas Souza, foi o primeiro fenômeno dos Jogos de Tóquio.

De 295 mil seguidores, o seu perfil no Instagram cresceu para 3,2 milhões, e em questão de dias. Seu carisma ao mostrar os bastidores da Vila Olímpica nos stories do Instagram o tornou, além de atleta, o mais novo influencer do pedaço.

Num piscar de olhos e de milhões de novos fãs, ele foi rapidamente agenciado pela Mynd, empresa da cantora Preta Gil.

De tanto utilizar a canção Zap Zum de Pabllo Vittar em suas postagens, a música – que ainda não foi trabalhada pela drag – escalou organicamente até o primeiro lugar no iTunes tupiniquim e figura entre as 100 mais reproduzidas no Spotify Brasil.

Rayssa Leal, de 13 anos, cativou a todos por encarar a importante competição no tom leve e divertido de uma criança.

Ela ganhou a medalha de prata no skate street logo na sua primeira Olimpíada – foi a estreia da modalidade nos Jogos.

Conhecida como Fadinha do Skate (aos 7, ela viralizou na internet por executar manobras fantasiada e foi notada por Tony Hawk), ela saiu dos 627 mil seguidores no Instagram e se aproxima da marca de 6,7 milhões.

Isso além de ser um sucesso no TikTok, onde reproduz dancinhas virais ao lado de outras feras do esporte, como Letícia Bufoni.

Rebeca Andrade se tornou a primeira brasileira a ganhar medalhas olímpicas na ginástica artística. Foi uma de ouro e uma de prata, e mesmo sem emplacar medalha no solo, ela colocou Baile de Favela nos holofotes novamente.

Filha de doméstica, enfrentou diversas dificuldades na carreira, que vão da falta de dinheiro para ir aos testes a lesões no joelho.

Agora, mais de 2,3 milhões de pessoas a acompanham online.

Dos 309 atletas do Brasil que chegaram em Tóquio, 231 dependem do Bolsa Atleta, que não teve edital lançado em 2020 para beneficiar mais pessoas.

Centro e trinta e um não possuem patrocínio, mais de 40 fizeram vaquinhas para competir e muitos não vivem do esporte que praticam.

Diversas marcas estão surfando com o alto engajamento das redes sociais na Olimpíada e agora fecham parcerias com os atletas e influenciadores da geração Tóquio 2020.

Poderiam incentivá-los antes de tudo como atletas? Não só poderiam, como ainda podem.

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