O pop-punk voltou
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

O pop-punk voltou

Murilo Busolin Rodrigues

12 de junho de 2021 | 20h00

Participei de um Twitter Spaces nesta semana – a plataforma é uma espécie de podcast ao vivo, com interações via áudios – com profissionais da comunicação. Discutimos o enorme sucesso de Olivia Rodrigo, seu estilo nostálgico no topo das paradas e chegamos a um consenso: o pop-punk voltou.

Desde que o mais recente número 1 de Rodrigo, good 4 u, foi lançado, as comparações com o hino emo Misery Business, da banda Paramore, inundaram as redes sociais com memes, mashups e remixes.

O hit ganhou tanta força que Riot!, de 2007, no qual a música foi como single, figura entre os 70 discos mais vendidos da Billboard.

O refrão dos dois sucessos é bem similar, e a canção mais recente traz, para os saudosistas dos anos 2000, a sensação de que o emo nunca morreu e a confirmação de que o pop-punk, que emergiu no mainstream com o Green Day, está em alta após um período fora da cena comercial.

A verdade é que os dois estilos sempre se misturaram, mas o emo ‘raiz’, difundido em hits de My Chemical Romance e Panic! At The Disco, foi ganhando roupagens populares.

Fall Out Boy, New Found Glory, Bowling For Soup, Good Charlotte e blink-182 foram as bandas de pop punk que mais fizeram sucesso há quase duas décadas, ao lado de Avril Lavigne. Mas é ao baterista do blink-182, Travis Barker, que devemos dar a chave da insistência.

O produtor musical trabalhou incessantemente para não deixar enterrarem o estilo, que neste ano deve predominar nos streamings, da mesma maneira que a onda disco dominou em 2020.

Travis Barker, ex-baterista do blink-182, tem um papel importante na volta do pop-rock para o cenário mainstream. FOTO: Reuters

Travis está por trás das principais produções que mesclaram o pop punk com trap, rap e hip-hop nos últimos anos.

O ‘emo trap’, ou ‘pop-punk trap’, resultado da junção dos elementos do rock com as batidas manjadas do hip-hop, é fenômeno no TikTok.

Esse é mais um fato crucial que fez o estilo ganhar força. O pop rock voltou aos holofotes.

Em 2020, outra prévia de que o rock nostálgico poderia ser considerado cool de novo foi o lançamento de XS pela novata Rina Sawayama. A canção combina um bom pop com elementos clássicos do rock e foi aclamada pela crítica.

Agora adivinha quem, aos 20 anos, está prestes a conseguir mais uma música de sucesso de maneira orgânica? Willow Smith.

Willow disse em entrevista para a ‘V Magazine’ que sofreu bullying na adolescência por ser negra e fã de Paramore e My Chemical Romance. FOTO: DOMEN & VAN DE VELDE

A filha do ator Will Smith chamou a atenção há 11 anos, quando lançou a chiclete Whip My Hair. Após um longo amadurecimento, que revelou o seu lado indie e a afastou das paradas musicais, ela se jogou no pop-punk com Transparent Soul, prestes a estar entre as 20 mais executadas no chart do Spotify nos Estados Unidos.

O produtor e parceiro de Willow no novo sucesso? Travis, claro.

Que Rick Bonadio e os roqueiros presos na bolha conservadora não leiam, mas o rock não morreu e nunca vai morrer enquanto tivermos artistas jovens, criativos e com boas influências para continuar a reinventá-lo em grande estilo.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.