Iza é um dos ouros do gueto
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Iza é um dos ouros do gueto

Murilo Busolin Rodrigues

04 de junho de 2021 | 20h29

“A gente pode não se ver na TV, mas o que as pessoas têm consumido no Brasil vem desses lugares. Tem ouro no gueto.”

Essas são as palavras de Isabela Cristina Correia de Lima Lima, mais conhecida como a imperatriz do pop brasileiro, Iza.

O videoclipe de ‘Gueto’ foi dirigido por Felipe Sassi e conta com todos os elementos fundamentais da carreira de Iza. FOTO: Rodolfo Magalhães

A carioca abriu as alas do seu aguardado segundo álbum de estúdio com o single e vídeo de Gueto, lançado na última sexta-feira, 4, e eu consegui disputados minutos com a artista para saber das novidades que estão saindo do forno.

A nova música é um mix de reggae e dancehall, com refrão marcado e versos que celebram a trajetória da garota que saiu de Olaria e hoje estampa comerciais das maiores marcas brasileiras, além de ter comandado os principais programas da televisão aberta e paga.

Para quem não sabe, Iza é publicitária formada, e agora é a cara das principais propagandas do País. E seus contratos refletem nas mudanças internas de uma empresa. Representatividade. FOTO: Rodolfo Magalhães

“Grifes no meu camarim… mais um contrato pra mim”, canta em um dos trechos.

Consciente de ser um fenômeno comercial e também expoente de uma representatividade absurda, a artista se posiciona diante de pautas sociais desde o começo – uma das raras exceções do mercado da música brasileira, repleto de isentos.

“A gente tá vivendo um momento muito difícil, mas não podemos esquecer de que o Brasil é feito de brasileiros. Tá f*da? Tá, mas o nosso País também é f*da e é construído por nós”, desabafou.

Seu pulso firme foi internacionalmente reconhecido há poucos dias. A cantora, de 30 anos, foi nomeada como uma das “líderes mais influentes da nova geração” pela revista Time.

Pessoas que têm lugar de visibilidade deveriam considerar o que elas podem fazer em prol da sua comunidade, o que podem mudar.

Uma vez que você se torna exceção, saiba que não é uma posição legal. Você tem a obrigação de trazer gente contigo, diz.

“É questão de abrir as portas pra tanta gente incrível que faz a diferença na arte do País. Pessoas que são o vetor de mudança musical e acabam não tendo lugar.”

A nomeação da Time chega como um casamento perfeito para Gueto. Todos os elementos da música e, principalmente, do vídeo são reflexos de suas origens.

É a ocupação de tudo o que seu suor conquistou, mas mantendo os pés fincados no subúrbio do Rio de Janeiro, local que lhe trouxe estrutura e as primeiras vivências.

Esse orgulho de pertencimento é um dos fatores que a tornaram a estrela consciente de hoje.

“Eu não falo sobre racismo por ser um assunto que gosto, falo porque é necessário. Posso dizer muito através da música. Nosso microfone é uma arma e precisa ser usado” – Iza, 2021. FOTO: Rodolfo Magalhães

“Costumo dizer para as pessoas que eu sou a bandeira. Só de estar ali sentada, em horário nobre”, destaca Isabela que, só com seu disco de estreia, Dona de Mim, acumula um número próximo da casa dos 2 bilhões de streamings somados.

O segundo álbum tem previsão de estreia para o próximo semestre e deve seguir a sonoridade de Gueto, contando ainda com estilos como o afrobeat, pop e, claro, o R&B fortemente carioca, que já virou a assinatura de Iza.

Ninguém cala essa voz do gueto.

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