História (sur)real
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História (sur)real

Murilo Busolin Rodrigues

10 de outubro de 2020 | 20h00

Confesso que, desde que tomei conhecimento da chocante e assustadoramente real história de Dee Dee Blanchard e Gypsy Rose, em 2016, por meio de uma reportagem feita pelo BuzzFeed, esperava uma produção dramática que fizesse jus à um dos relacionamentos mais perturbadores que eu e você jamais poderíamos imaginar.

 The Act excedeu todas as minhas grandes expectativas.

Patricia Arquette interpreta a superprotetora e abusiva Dee Dee, que por consequência do seu relacionamento – quase que inexistente – com sua mãe  criou Gypsy na base de grandes mentiras, que podem parecer difíceis de serem sustentadas por tanto tempo, mas foram.

Gypsy foi forçada a acreditar que sofria de doenças graves como distrofia muscular, leucemia, asma e outras condições especiais. A “supermãe” inventou a imagem frágil da filha depois de alegar que a dupla tinha perdido tudo no furacão Katrina, em 2005.

A vida de mãe e filha era um falso conto de fadas sustentado por doações e grandes campanhas beneficentes. Elas ganharam até viagens da Disney World e conheceram famosos por conta da fundação Make-a-Wish, que concretiza sonhos de crianças com doenças graves.

‘The Act’ é chocante, difícil e vai te fazer procurar todas as entrevistas sobre o caso. FOTO: Hulu/Divulgação

O legado de mentiras foi encerrado com o fim da adolescência de Gypsy, que se viu sufocada naquele longo relacionamento doentio, a ponto de arquitetar o frio assassinato a facadas de Dee Dee. O ato foi feito em conjunto com Nicholas Godejohn, seu – também perturbado – namorado,  recém-conhecido via Facebook.

Além de um roteiro estupendo e da persona inacreditável interpretada por Patricia Arquette, que chega a incomodar o espectador com tamanha repugnância, a atuação primorosa de Joey King no papel de Gypsy é algo que preciso dar mais destaque.

A atriz está praticamente idêntica à Gypsy da vida real, incluindo sua voz infantilizada – que você mesmo pode conferir no documentário Mommy Dead and Dearest (HBO), que em 2017 se debruçou sobre o caso.

Os trejeitos de uma mente conturbada vão ganhando várias camadas até os episódios finais e, meu querido leitor, não são cenas fáceis. São perturbadoras.

A série é uma produção original da plataforma  Hulu (estreou por lá em março de 2019), que possui um catálogo restrito aos Estados Unidos. Somente nos últimos meses a Hulu passou a distribuir suas produções no Brasil por meio de outros serviços de streaming, como Amazon Prime Video e Apple TV.

Em ambas as plataformas você pode assinar e consumir os conteúdos da Hulu pelo selo da Starzplay. O custo é de R$ 14,90 em qualquer uma das opções.

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