Fala mais, Cardi B
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Fala mais, Cardi B

Murilo Busolin Rodrigues

22 de agosto de 2020 | 20h00

Desde a explosão de Bodak Yellow em 2018, seu primeiro hit número 1 na parada musical mais importante do mundo – a Billboard Hot 100 –, a rapper estadunidense Cardi B conquistou feitos gigantescos em sua carreira, se afirmando com um dos nomes mais importantes da cultura pop no fim da última década e, consequentemente, abrindo a nova com expectativas de um impacto ainda maior.

Cardi B conquista novos recordes e utilza seu alcance para discutir política. FOTO: WAP/ ELLE

A ex-stripper Belcalis Amanzar é natural do Bronx (Nova York) e fala um inglês com fortes traços latinos. Sua carismática e marcante comunicação ficou mundialmente conhecida neste ano (se alguém ainda não a conhecia pela música) após um de seus diversos vídeos sincerões  viralizar nas redes sociais ao comentar sobre o seu medo da pandemia. Sim, ela é a dona do ‘Corona VAIRUS’, possivelmente o maior meme do ano.

Cardi trabalhou incansavelmente e divulgou seu primeiro álbum, Invasion of Privacy (2018), ainda grávida. Em menos de três anos, se tornou uma artista multiplatinada, fenômeno nos streamings e vencedora de Grammy; estrelou filme ao lado de Jennifer Lopez, infinitos comerciais e polêmicas nas mídias. E o mais importante: construiu uma extensa lista de recordes com quatro hits em primeiro lugar na Billboard, incluindo a recém-lançada e já recordista WAP, parceria ousada com a rapper em ascensão Megan Thee Stallion.

A intérprete de I Like It também já gravou músicas (ainda engavetadas) com Ludmilla e Anitta e publica casualmente stories cantando os hits – em português – das funkeiras. Como se não bastasse tamanha aleatoriedade, Belcalis entoa versões em espanhol de clássicos do sertanejo, como Zezé di Camargo e Luciano. Impossível não acompanhar.

Origens latinas, amante da cultura brasileira, história de superação com retrogosto recordista… o que faz Cardi ser ainda mais especial e o único tema da coluna deste domingo?
Ela faz o que muitos artistas – em pleno 2020 – preferem não arriscar: Cardi B se posiciona politicamente.Não ficando em cima do muro, ela utiliza sua enorme influência para debater sobre temas importantes, sem poupar palavras com seus mais de 90 milhões de seguidores somados em suas redes sociais.

Na mesma semana em que emplacou o seu mais recente número 1 nas paradas, garantindo 93 milhões de reproduções em streamings (o maior número da história para uma artista feminina), com a faixa polêmica e sexualmente atrevida WAP, Cardi vestiu roupa social, uma peruca mais modesta, mas manteve suas longas unhas para entrevistar (!) o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden. Aplaudi.

Sem papas na língua, a rapper discutiu com muita eloquência sobre violência policial, sistema de saúde pública, covid-19, educação universitária e pediu para que os jovens votem para tirar Trump da Casa Branca.

Em uma sociedade cada vez mais polarizada, a artista é exemplo máximo a se destacar para quem ainda vive no mundinho “eu não gosto de política”. Viver é um ato político e Cardi B sabe que não dá para mudar o mundo apenas reclamando.

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