Alexa, toca Marina Sena
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Alexa, toca Marina Sena

Murilo Busolin Rodrigues

21 de agosto de 2021 | 22h00

Desde a minha conversa com a drag queen Gloria Groove, há pouco mais de um mês, venho refletindo no quanto a música pop brasileira está alcançando novos patamares.

Digo tanto em produções de cair o queixo quanto nos videoclipes megaelaborados: a imensidão de ótimos materiais que nos deparamos após a explosão do furacão Anitta (há quase 10 anos) é de uma qualidade tão refinada quanto a dos gringos – e, por muitas vezes, é até superior.

Para abrilhantar ainda mais o pop brasuca, o mais novo nome a fortalecer a cena é Marina Sena.

Após integrar duas bandas ao mesmo tempo (Rosa Neon e A Outra Banda da Lua), a mineira de Taiobeiras lançou o seu primeiro disco solo De Primeira em todas as plataformas de streaming na última quinta-feira, 19.

O título do disco é inspirado em uma das frases que sua avó, Dona Stelina, mais gostava de dizer: “De primeira, as coisas eram diferentes”.

Não há uma faixa esquecível ou “pulável” das dez que compõem o álbum, que foi 100% produzido a distância, nas mãos do produtor Iuri Rio Branco.

‘De Primeira’ é o primeiro álbum solo de Marina Sena. Uma das melhores e mais agradáveis surpresas de 2021. FOTO: Fotógrafo: Fernando Tomaz

Desde a primeira música, a contagiante Me Toca, fui impactado por uma súbita vontade de preparar uma taça de gim-tônica com muitas pedrinhas de gelo e rodelas de limão-siciliano. Classificaria toda a produção como um “pop chique”.

De Primeira foi feito para fazer dançar, refletir, colocar para fora do peito aquela suave energia que costumamos resgatar aos fins de semana (mesmo durante uma pandemia).

Com um timbre vocal único e sedutor, Marina Sena sintetizou todos os seus sentimentos para alguém que ainda vai amá-la e qualquer pessoa pode se identificar com esse potente amor livre através de suas letras.

As batidas são um charme à parte. Temos uma agradável mescla de ritmos brasileiros sem perder o rumo. Pelejei e Cabelo já soam como grandes hits pops de pitada regionalista. Já em Tamborim vemos a cantora flertar com um delicioso samba. Ela conseguiu acertar em todas.

Impossível não olhar para as fotos do encarte do disco de Marina e não lembrar de Marisa Monte, não é? A semelhança se resume ao indiscutível talento de ambas. FOTO: Divulgação

Com carisma, boas referências e um apaixonante disco de estreia, a artista chega com todos os requisitos para ser alçada entre as maiores estrelas da música brasileira nos próximos anos.

Eu mal posso esperar para sorrir de orelha a orelha cantando as suas canções, ao lado dos meus amigos, em um festival de música próximo.

Enquanto o cenário atual da pandemia não colabora, Alexa, toca Marina Sena no “repeat”? Por favor.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.