A vacina de Paulo Gustavo
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A vacina de Paulo Gustavo

Murilo Busolin Rodrigues

26 de dezembro de 2020 | 22h00

‘Foi a cultura, em geral, que nos ajudou a seguir em frente, tornando tudo um pouco mais leve’. Não teria maneira mais coesa para o humorista Paulo Gustavo encerrar a estreia do consagrado projeto 220 Volts, agora na TV aberta, no finalzinho de um 2020 que persiste em render.

O especial de fim de ano já está disponível no criticado e disfuncional aplicativo da Globoplay, e traz uma revisitação dos melhores e mais conhecidos personagens do programa, além, é claro, da presença de Dona Hermínia, protagonista da trilogia Minha Mãe É Uma Peça.

Transitando com um humor acessível entre as classes sociais que formam a típica sociedade brasileira, Paulo Gustavo é um dos únicos comediantes que consegue conciliar situações cotidianas com piadas de igual para igual. Agora, em 2020, sem constrangimentos.

Como dois pontos altos da atração, destaco a interação, sem forçar a barra, entre a Mulher Feia e a cantora Iza em uma loja de roupas, e também a volta da icônica Senhora dos Absurdos.

A Mulher Feia é uma das melhores personagens do ‘220 Volts’. Merecia mais destaque. FOTO: Globoplay/ Reprodução

A última, mais atual do que nunca, persiste em vomitar intolerâncias e, no auge de sua hipocrisia e sarcasmo, saca duas armas para confrontar a polícia. Afinal, porte de armas, corrupção e bons costumes sempre constroem ótimos personagens fictícios, políticos, ou políticos fictícios.

Ainda que não pareça muito necessária, uma paródia musical aos moldes de vinheta de fim de ano encerra o especial, conectando o telespectador à fantasia que envolve as produções do Projac e o status de consagração de um empregado da emissora.

A Senhora dos Absurdos, infelizmente, se tornou mais ‘comum’ do que poderíamos imaginar, né? FOTO: Globoplay/Reprodução

Já li e ouvi mais de uma vez que Paulo Gustavo é a “bixa da família brasileira”. Que assim seja. Seus filmes são recordistas históricos de bilheterias e várias nuances preconceituosas são retratadas nas produções de uma maneira construtiva, fazendo com o que o público se farte e repita o prato.

Se rir é considerado um ato de resistência, espero que possamos receber doses mensais de Paulo Gustavo e seu humor na TV aberta para lidar com 2021 de uma maneira mais amena. Vem, vacina!

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Almoço de domingo pop

Após dois anos de estrondoso sucesso, cinco números #1 na Billboard Hot 100, um Grammy, milhões de álbuns e singles vendidos, Ariana Grande lançou seu documentário-show excuse me, i love you na Netflix.

‘excuse me, i love you’ não é um documentário sobre a vida pessoal de Ariana. Apenas um bom show em alta definição. FOTO: Netflix/Reprodução

Mais show do que documentário, a produção retrata a apresentação em Londres da turnê Sweetener World Tour, com hits dos álbuns Sweetener e thank u, next.

Com pouquíssimos bastidores e ainda menos detalhes de sua intimidade, funciona como aquele DVD de show dos almoços de domingo. Muito talento, mas muita discrição.

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