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A queda cara da Netflix

Murilo Busolin Rodrigues

24 de julho de 2021 | 22h00

Na mesma semana em que a gigante dos serviços de streaming anunciou os seus novos valores mensais – causando um alvoroço na maioria de seus assinantes – foram divulgados dados nada animadores sobre o segundo trimestre da empresa.

Alegando um maior custo para arcar com grandes produções e novas experiências na plataforma, a Netflix elevou o preço do seu plano mais básico para R$ 25,90, e agora, o plano premium (com telas Ultra HD e Dolby Atmos) passa a custar R$ 55,90.

O mais conhecido serviço de streaming no mercado brasileiro consegue ser mais caro que a soma de uma assinatura mensal da HBO Max (R$ 13,95) com a Amazon Prime Video (R$ 9,90).

Automaticamente, você vai se questionar se ainda compensa manter a assinatura diante dos últimos lançamentos. Não vou titubear, a minha resposta é um veloz não. O último grande hit da plataforma foi O Gambito da Rainha, de outubro de 2020.

De lá para cá fomos agraciados (rs) com uma segunda temporada desastrosa de Lupin, uma versão água com açúcar do site adulto XVideos, ou o que também podemos chamar da quarta temporada de Elite e muitos cancelamentos indesejados, como a nacional Coisa Mais Linda.

A experiência do usuário da Netflix é nota 10, dá um banho na novata HBO Max, mas há tempos falta um catálogo mais chamativo. Tente assistir duas das produções presentes no top 10 da seção ‘Populares’. Desespero.

A minha insatisfação não é exclusiva e não é compartilhada somente nas bolhas sociais, ela é vista em números expressivos mundialmente.

Com a pandemia desacelerando, a companhia registrou “apenas” 1,5 milhão de novos assinantes no último trimestre, uma queda brusca de 85% em relação ao último ano.

Além da flexibilização das medidas restritivas contra a covid-19 e a aceleração da vacinação no mundo, as novas produções tiveram pouco impacto diante do fortalecimento das concorrentes.

A Disney+ tem um valor mensal mais salgado (R$ 27,90), mas desde a sua estreia no Brasil entrega um conteúdo longe do básico.

Em alguns meses, tivemos acesso a três séries originais da Marvel, uma nova série Pixar da franquia Monstros S.A., duas grandes animações (Luca e Raya e o Último Dragão), além de estrear simultaneamente em seu catálogo (pelo acesso premium de R$ 69,90) e nos cinemas os aguardados longas Víuva Negra e Cruella. Conforto, segurança e investimento.

A Amazon Prime Video recebe poucas atualizações, novidades que não são tão novidades e bons originais, mas o seu preço ainda é indiscutível.

A GloboPlay não possui a melhor das interfaces e costuma travar em transmissões ao vivo, mas é repleto de novelas e filmes atualizados, além de originais e documentários feitos com a qualidade de uma grande TV a cabo.

Admito que a mais nova das concorrentes, HBO Max, tem o melhor catálogo da atualidade, mas dias após a sua estreia em terras tupiniquins já sentimos o balde de água fria.
Para quem esperava o enterro da experiência ruim que tínhamos com a HBO GO, recebemos o famoso “menos pior”. Legendas dessincronizadas, péssima navegação e carregamento eterno.

Ao somarmos todos os serviços de streaming de vídeo disponíveis com um dos serviços de música, gastamos por volta de R$ 100 ao mês.

É hora de as plataformas investirem um pouco do bilionário lucro líquido (já que esse não está em queda com nenhum dos citados) na experiência dos usuários, começando por bons conteúdos.

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