A hora e a vez do pagodão baiano
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

A hora e a vez do pagodão baiano

Murilo Busolin Rodrigues

27 de fevereiro de 2021 | 21h00

Não é novidade que os estilos de música mais consumidos pelos brasileiros, atualmente, são sertanejo, gospel, funk, pop e pagode. Isso sem citar o forró eletrônico e o tecnobrega, que deixaram de ser sucessos regionais, para serem consumidos em nível nacional (oi, Barões da Pisadinha)

Malía e Léo Santana investem na mistura do pop com pagodão baiano para o single ‘Onda. Impossível você não arrastar um móvel para dançar enquanto ouve. FOTO: Divulgação / Universal

O funk está cada vez mais disseminado na cultura pop e temos suas evoluções, o estilo brega funk e os acelerados funk 150 e 170 BPM. Sim, são 170 batidas por minuto. O ritmo frenético nasceu nos bailes do Rio de Janeiro, como é o de praxe, e agora dita tendência em todo o Brasil.

Paramos por aí em 2021? Claro que não! Faço uma humilde e arriscada aposta: o próximo estilo a dominar as paradas de streaming será o pagodão baiano. Derivado do samba, o estilo é marcado pela percussão, com a inserção de outros ritmos, de origem africana ou até do nosso próprio funk.

O pagode baiano é filho do samba e surgiu na época da escravidão como uma forma de manifestação musical nos terreiros.

Por meados do século 16, na época de escravidão, negros mantinham manifestações musicais nos terreiros, como a umbigada (dança em que um umbigo encosta a outro). O movimento evoluiu e foi para locais a céu aberto, com a inclusão do batuque do Olodum e de outros instrumentos, e essa espécie de comemoração virou o conhecido pagode baiano de fundo de quintal.

O pagodão de hoje foi moldado a partir dos anos 1990 com o Gera Samba, que por questões judiciais virou o icônico É o Tchan. O eterno grupo das Sheilas e o Harmonia do Samba revolucionaram o estilo, em questão de melodias, batidas e por ter homens dançando pagode e não só mulheres.

O grupo ‘É o Tchan’ foi fundamental para a atual estrutura do pagode baiano e todas as suas divisões. FOTO: Divulgação

O que temos agora? Vários lançamentos pop com flertes no estilo que mexe e remexe. Anitta já havia usado o pagodão baiano com destaque em 2020, no ‘misturê’ latino Me Gusta (ao lado de Myke Towers e Cardi B). Recentemente, Ludmilla caiu de vez no pagodão & funk na ótima parceria Pra Te Machucar, com produção de Major Lazer e dos meninos do ÀTTØØXXÁ.

Temos um príncipe nessa crescente tendência. Com parcerias usando o ritmo com pinceladas de funk e trap, Léo Santana apostou na música Século 21, com Luísa Sonza; Samu, single de Vitão; e a impecável e recém-lançada Onda, música de trabalho da artista em ascensão Malía.

 

O grande Léo (ele tem exatos 2 metros) domina o nicho mais comercial, mas não é o único que, por enquanto, carrega a tendência para todo o Brasil. Se quiser uma boa imersão no pagodão baiano, você precisa ouvir La Fúria (responsável pelo hit viral de rejeição de Karol Conká no BBB), Nêssa, O Poeta, A Travestis, A Dama e Igor Kannário – o Príncipe do Gueto (ex-vereador de Salvador), além de Psirico (que já coleciona hits como Lepo Lepo e Parabéns, com Pabllo Vittar).

Para te ajudar, compilei esses e outros artistas em uma playlist: http://spoti.fi/37TGoaJ. Quando você notar entre as mais tocadas, não vai me dizer que eu não avisei, ok?

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.