Xuxa: você nunca vai conseguir viver como uma pessoa comum

Estadão

31 de agosto de 2012 | 13h08

A piada é pronta. A pessoa é muito famosa. Acha que a fama atrapalha a sua vida. Sonha com a vida de uma pessoa comum. O anonimato, que maravilha! E reclama disso tudo em… um programa de televisão, onde aproveita e conta mais algumas das suas intimidades muito intimas.

Exemplo de celebridade piada pronta do momento: Xuxa, reclamando da fama em um momento em que se expõem parecendo uma desesperada que não quer perder a fama de jeito nenhum.  Ontem, no programa Na Moral, de Pedro Bial, ela disse que se fosse anônima “beijaria, daria muito, iria onde quisesse, sem que ninguém escrevesse sobre ela”. É comum também ver famosos reclamando do excesso de exposição em capas de revista.

Escuta. As pessoas têm liberdade de ir e vir. Se não quer ser mais famosa, a primeira coisa é parar de aparecer em programa de TV contando detalhes sobre sua vida amorosa e seus sofrimentos do passado (uma coisa que mesmo os anônimos que não querem se expor evitam contar para muita gente) e dar um tempo das capas de revistas, não?

Xuxa, e outros famosos do mundo, parecem a menina personagem de uma velha canção da banda inglesa Pulp (que talvez toque no Brasil em novembro, oremos) que virou uma espécie de hino contra milionários reclamões. “Eu quero viver como as pessoas comuns, eu quero fazer as coisas que as pessoas comuns fazem, eu quero dormir com pessoas comuns”, diz a filha de um milionário. No que o narrador, depois de levar a menina para um passeio em um supermercado, responde, entre outras coisas: “Alugue um quarto em cima de uma loja, corte seu cabelo para poder arrumar um emprego, fume cigarros e jogue bilhar. Não, você nunca vai conseguir viver como as pessoas comuns.”

Xuxa, e os outros super famosos, poderiam viver como pessoas “mais ou menos comuns”, se quisessem. Alguns conseguem. Mas para isso vai ter que fazer o que as pessoas comuns fazem. Reclamar dos problemas para os amigos (e não na televisão). No máximo, pagar um analista. Pintar o cabelo, mas pagar por isso (ao invés de receber dois milhões). Desencanar de ser o centro das atenções. Chorar na cama, que é lugar quente. Ou por baixo dos óculos escuros no trabalho “para que ninguém veja”.

É, pelo jeito, Xuxa nunca vai conseguir viver como as pessoas comuns.