Viva Morrissey! Viva o anti-herói do pop!

Estadão

08 de março de 2012 | 14h00

 

Imagine a maior anti-estrela pop do mundo. Bem, o nome dessa pessoa é  Morrissey. E ele está no Brasil. E isso não é pouca coisa . Esqueça o jogo da fama. Ou melhor, lembre-se dele, porque Mozz é especialista em desconstruí-lo e nos mostrar o lado negro dessa força. Pense num grande poeta. Um mito. Esse é o Morrissey. O cara que escreveu certa vez que “é preciso muita força para ser gentil e amável com as pessoas”.

Agora, lembre que ele nunca  virou, como disse em entrevistas recentes, “uma puta da mídia”. No auge do sucesso com os Smiths, Mozz escreveu uma das suas mais lindas canções. “Paint a Vulgar Picture”, onde narra um encontro de uma gravadora que pensa no que fazer com uma estrela morta. “Relance, faça um álbum com fotos, coloque para vender, seja gentil com a imprensa da Belgica”. Para depois lembrar que a tal estrela poderia ter dito não e caído fora se quisesse. Amy, Whitney, sim, qualquer uma delas poderia ser essa estrela.

O Morrissey que toca no Brasil essa semana caiu fora do jogo da fama e das gravadoras faz tempo. É um artista independente que tem fobia de estrelas (Madonna é sua maior “inimiga). Ele nunca foi visto circulando em uma festa. Mas ao mesmo tempo (e vai ver isso contribui): é idolatrado (por mim e por mais um monte de gente).  E se considera “o rei dos párias”.

Em Los Angeles, onde mora, jovens do gueto tatuam seu nome na pele. Em seus shows em Londres, pessoas bebem do seu suor. Camisas jogadas por ele em suas apresentações são disputadas a tapa.

O amor ao Morrissey não dura uma temporada. É um  amor apaixonado. Não só pelo poeta ou pelo cantor. Mas pelo MITO, o anti pop. O herói, que por mais que cante músicas tristes e não faça o jogo, está aí, vivo, aos 52 anos.  Não é qualquer um que não cai no jogo podre  da industria da fama e o ironiza “Nós odiamos quando nossos amigos fazem sucesso”. E depois sopra no nosso ouvido que o mundo foi desenhado para idiotas, e que por isso ele precisa ser abraçado. “Eu não sou um deles.”

Morrissey está vivo. Lançando seus braços sobre Paris porque só as pedras precisam e aceitam o seu amor. Ele mesmo escreveu uma vez: “você faz mais em um dia do que a maioria das pessoas faz em uma vida. E nós te agrademos. Por aqui, fazemos o mesmo.  Gracias, Morrissey!

PS. A autora desss texto é fã do Morrissey desde os 15 anos de idade ! E sim, teremos mais Morrissey por aqui esses dias. Mas é claro!

Tudo o que sabemos sobre:

#pop #morrissey

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: