Último capítulo de “Mulheres Ricas” deprime com filosofia “viver e não ter a vergonha de consumir”

Estadão

06 de março de 2012 | 13h55

Champanhe, caviar, modelos Cavalli e criados. Muitos criados. O reality Mulheres Ricas terminou ontem fazendo um resumo “ideológico” daquilo que mais incomodou a atraiu no programa da Band que virou Cult ao reunir socialites que ostentam dinheiro e mostram um jeito de viver baseado em ter, comprar, ser servido, exigir.

No ultimo capítulo (dizem que Val Marchiori, a estrela do programa, fez festa em sua casa para comemorar, estilo Oscar), os protagonistas foram, além das moças:

1-    Os modelos Cavalli.

Roberto Cavalli é um dos estilistas mais amados pelas peruas do mundo. E como bem disse ontem uma delas, “um vestido desses custa uns 10 mil dólares, gente.” Todas falavam o tempo todo: “Cadê o meu Cavalli?” Mais obvio e cafona, impossível. Mulheres ricas são clichês delas mesmas e usam uniformes.

2-    A champanhe

Outro símbolo dos cheios de dinheiro deslumbrados. “Como assim, veio Moet Chandon? Manda devolver, tem que ser tudo Veuve Cliquet”, disse uma assistente de Val Marchiori no telefone, quando organizava a sua festa de aniversário. A mesma rica brigou com seu motorista. “Hello, esse carro está balançando muito, assim vou derrubar champanhe no meu Cavalli”.

3-    Os criados

Nunca um episódio do programa mostrou tantos serviçais. Na vida das ricas há empregado para tudo. Uma delas “tem preguiça de escolher roupa”. O que vemos na TV? Uma fila de várias empregadas carregando vestidos. Sim, sinhazinha tem escravas. E muitas. Sinhazinha tem preguiça até de abrir o armário. Ao entrar em uma loja, uma delas grita: “hello, cadê a champanhe, minha, gente, ei, cadê?”, mostrando o quarto elemento protagonista do programa: a falta de educação. Mulheres ricas querem ser servidas e querem que seja agora, aos gritos.

Deu depressão ver o ultimo capitulo. Além de chato (a edição foi lenta e nos torturou) o que se viu ali foi inacreditavelmente real. “Neguinho compra três TVs de plasma, um carro, um GPS e acha que é feliz”, escreveu Caetano Veloso na música “Neguinho”, hino do Brasil abastado de hoje. No caso das mulheres ricas, elas só têm mais dinheiro que a gente. Por isso, compram “Cavalli, champanhe e caviar e acham que são felizes.”

E ABSURDO dos ABSURDOS, o final, com todas cantando, em uma festa “Viver e não ter a vergonha de ser feliz”. “Viver e não ter a vergonha de consumir”.

Tapa na cara da sociedade. Tapa que dói.

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