Últimas considerações sobre #legiãomtvwagnermoura

Estadão

31 Maio 2012 | 12h04

Eu jurei. Pedi ajuda. Não veria de novo o especial “Legião Wagner-Moura-MTV” e não falaria mais nada a respeito. Mas falhei com mim mesma. Vi de novo um pedaço e essa porcaria de assunto não sai da minha cabeça. Então, vamos lá. Ultimas considerações sobre o #legiãoMTV e não se fala mais nisso (não prometo mais nada, mas digo que vou tentar. Só por hoje eu não quero mais brigar). Coloco abaixo alguns argumentos que estão sendo usados para defender o espetáculo-homenagem com as minhas considerações.

1- Foi uma bela homenagem

Não concordo. Não há direção do genial Felipe Hirch que salve uma pessoa que está no lugar errado. O que se viu pela TV (e insisto, era um PROGRAMA DE TV) foi um karaokê com transmissão ao vivo. Wagner Moura, além de cantar mal, fazia dancinhas tipo as nossas em karaokê e não soava verdadeiro, não. Soava como um fã. Mas isso todos somos. E não é por isso que a gente sai cantando e cobrando ingresso de 200 reais. Não foi homenagem. Foi uma excelente jogada capitalista. Atenção para a junção das marcas: Legião + MTV + Wagner Moura. Só não percebe quem não quer.

2- O Wagner Moura se divertiu

Ué! Problema dele. E desde quando a gente vê uma novela, acompanha o desempenho péssimo de uma atriz e fala: “mas ela estava se divertindo?” Isso é justificativa desde quando?

3- O Wagner Moura tentou

De novo. Você assiste a um filme. Ele é péssimo. Mas no fim você aplaude porque o diretor “tentou”? Infelizmente a vida real não é assim. Mesmo se você for o Wagner Moura.

4- O Wagner Moura é um lindo

Ok. Não vou nem responder essa parte.

5- Cada um faz o que quer. Qual o problema do Dado e do Bonfá cantarem com outro vocalista?

Claro que cada um faz o que quer. Mas esse argumento ignifica que ninguém mais vai pensar. Cada um faz o que quer, sim. Mas isso não quer dizer que a gente não possa (e não deva) pensar sobre as coisas e tentar entendê-las. Principalmente sobre as coisas que são importantes para a gente. E esse show e toda a polemica que veio junto só provou que o Renato Russo (a alma da Legião, o vocalista, o cara que fazia discursos inflamados e uma performance tão verdadeira que até doía) continua relevante para caramba.

6- O público ficou feliz e cantou junto

Único argumento que me convence. Toda uma geração não teve a chance de ver o Renato Russo ao vivo (eu vi várias vezes, com a graça de deus). Quem nunca viu deve, sim, ter ficado feliz de ouvir um show só com músicas dele e ver de perto Dado e Bonfá. Os fãs merecem todo o respeito do mundo. E, por isso mesmo, mereciam coisa melhor do que um karaokê. Se você é um fã e foi ao show e ficou feliz, tudo bem. Só não vamos esquecer da tal jogada capitalista etc etc.

Sei que as vezes uso palavras repetidas… Até semana que vem. Com outro assunto. E como diria o Renato cantando The Smiths no meio de “Ainda é Cedo”: Bigmouth strikes again.