Quem é quem na SPFW (mais um guia real e humorístico)

Estadão

19 de janeiro de 2012 | 17h57

Depois de fazer um glossário explicando os termos da moda, aproveito o início da SPFW para explicar quem é quem no tal “mundo”. De novo. É piada. Mas é tudo verdade. Esse texto pode ser útil para quem for até a Bienal pela primeira vez e quiser identificar uma pessoa sem ter que falar com ela.

Jornalistas de moda- Pessoas que estão sempre correndo. Muito. Mas não pensem que é tipo. Eu já fui jornalista de moda e sei o quanto essa gente come o pão que o diabo (que veste Prada) amassou. Eles sobem correndo para a sala de imprensa para entregar matérias, ganham jabás (cada vez menos, viu) e usam roupas legais compradas por preço bem barato. Isso porque, apesar de serem de moda, eles são jornalistas. E jornalista ganha meio mal. Muitas vezes, durante o evento, eles passam fome e são alvo de maus tratos.

Editoras de moda de primeira escala- Esses são ricos. E sentam sempre na primeira fila, o olimpo da moda. E são facilmente identificáveis pelo tamanho dos seus óculos escuros (que não, não são tirados nem durante os desfiles). Existe editor de moda homem também, claro. E eles costumam ser clássicos. E finos. Pessoas muito fotografadas, pelo menos nessa época do ano. E que não são alvo de maus tratos.

It gils- Garotas reconhecidas por terem roupas caras, usarem um coque bem no topo da cabeça e serem ricas. Elas geralmente têm blogs de moda. Ou de esmalte. Sim, existe blog de esmalte. Sim, o mundo é estranho.

Estilistas- A maioria anda meio mulambenta pela Bienal, com cara de “nem tive tempo de pensar na roupa que ia usar”.  A maioria entra na passarela para receber os aplausos quase correndo e com a cabeça para baixo.

Modelos- como diz um amigo, elas são o proletariado da moda. As pessoas que mais trabalham na coisa toda. Algumas fazem uns três desfiles por dia. Facílimas de serem reconhecidas. Geralmente estão com um jeans velho, uma camiseta de banda comprada em brechó e fumando. São MUITO alvo de maus tratos. Isso porque podem, a qualquer momento, serem chamadas de gordas. Coisa que definitivamente não são.

Fashionistas do B- Termo inventado pelo meu amigo Vitor Angelo para designar quem é do mundo da moda mas não está muito aí para ele. Basicamente, são as pessoas que não levam a moda tão a sério e são capazes de cometer pecados graves, como rir na primeira fila. A regra da etiqueta da MODA manda você ficar sério. E rir pode ser considerado cafona. E ser cafona é pecado grave no tal mundo da moda.

Jornalistas da imprensa internacional- Eles nunca serão considerados cafonas. Mesmo se tentarem. Isso porque eles são de uma origem superior (claro que considerar um gringo menos cafona que um brasileiro só porque ele é gringo é cafona, mas não é assim que as coisas são no tal “mundo”). Os jornalistas  brasileiros morrem de ódio deles. E com razão. Afinal, eles sentam em um lugar melhor, sempre são mais bem tratados e… nunca serão cafonas. Nem alvo de maus tratos.

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Aproveitamos o início da temporada para inaugurar uma galeria de fotos (umbigo!). A primeira é bem narcisista mesmo. E tem umas fotos HISTÓRICAS (termo que o povo da moda ama) de momentos felizes com as pessoas da moda. Isso existe, sim. Nelas, os amigos: Fabio Kawallys, Dudu Bertholini, Vivian Whiteman, Rita Wainer, Michelle Provensi e mais um bando de gente. Existe amor e ódio na SPFW.

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