Porque Lady Gaga datou e foi parar no saldão

Estadão

10 de novembro de 2012 | 13h30

Quando Lady Gaga surgiu como fenômeno pop, as revistas de moda logo criaram um termo: “gagaísmo”. Isso se referia à obsessão pela cantora, seu estilo. Quem era fã da moça, ou se vestia inspirado nela era  um gagaísta. Assim como se você fosse, sei lá, um marxista, um dadaísta, um darwinista. Nunca fui uma gagaísta. Nunca fui fã da Lady Gaga. Mas sempre fiquei chocada com tamanha deferência e hype em cima da moça. Nunca exisitiu um “madonnismo”, nem um “rollinstonismo”.

Por que tudo isso para Lady Gaga? Ela fez algumas músicas divertidas, assim como muitas fazem. Mas pelo que entendi, ficou famosa mesmo por seu estilo de vida: apoiar as causas gays (mais que obrigação), adorar moda e usar modelos loucos, ter uma relação próxima com seus fãs. Uma espécie de Britney Spears mais rebelde. Ok.

Quatro anos depois do “gagaísmo” ser inventado, ele não se sustentou. A vinda da moça ao Brasil é um fracasso comercial (e ela é um produto). O estádio no Rio onde ela se apresentou teve metade da lotação.  E suas aparições na janela do hotel Fasano (um clássico entre os astros internacionais em passagem pelo Rio) renderam algumas fotos. Ponto. Ela toca amanhã em São Paulo no Estádio do Morumbi. Um site de venda de ingressos faz uma promoção. 500 reais para camarote com open bar. A inventora do “gagaísmo” foi parar no saldão.

O tal gagaísmo não durou nem quatro anos. Por que? Porque o  fenômeno é comercial. Gaga é (somente) produto de consumo e, como tal, passou da validade. Tendência de moda dura seis meses. Lady Gaga está no lucro.

Usar um vestido de carne te coloca nas paginas dos jornais do mundo inteiro. Entrar em uma premiação dentro de um ovo (!!!) também. Mas o ovo é oco. Não tem nada ali dentro. E o “gagaísmo” se diluiu no ar.

Outra explicação para o fracasso. O preço dos ingressos. Sim, caríssimos. Mas, vamos lá. O show da Madonna vai estar lotado (alguém duvida?). O mesmo aconteceu com o muso outsider Morrissey. Morrissey e Madonna se odeiam, mas têm algo em comum: música. Eu não sou fã da Madonna, não. Mas choro cada vez que escuto “Like a Prayer”.

Desculpe, Lady Gaga e gagaístas, mas um modelo bizarro não faz verão. Ele data, por mais que você tente seguir a moda e se transformar. Lady Gaga datou. Simples assim.

 

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