Por que amamos a Hebe? Porque ela nunca mudou

Estadão

29 de setembro de 2012 | 14h24

Amamos a Hebe porque ela nunca mudou. Nunca. Sempre gostou de ouro. Sempre amou suas jóias. Sempre mandou beijo no coração. Sempre usou a expressão linda de viver. Sempre morou numa mansão. Na minha cabeça, desde que eu nasci, a Hebe nunca mudou nem de endereço.

Amamos a Hebe porque ela sempre estava lá, fiel, falando “ai que gracinha” e declarando seu amor por Roberto Carlos, tão tradicional como ela em nossas vidas. E ela devia entender isso por nutrir tanto amor pelo Rei.

Hebe nunca pintou o cabelo de preto por alguns milhões. Era loira. Platinada. Muito antes disso ser moda. Nunca passou a usar nude porque a moda era essa. Nunca.Hebe não precisava ser rainha do bom gosto. Não precisava parar de usar minisaia porque “não para sua idade”. Ela não provava nada para ninguém.

Hebe sempre fez seu programa como quem estava em casa. E acho que estava mesmo. Acredito piamente que Hebe era absolutamente sincera. Dava bitoca, apoiava o Maluf, tinha as unhas impecáveis e longas, amava viver. Acredito em tudo.

Hebe era uma tia ou tia avó “perua animada” de todos nós. Amamos a Hebe. Amamos de verdade. E ficamos tristes hoje porque lembramos das nossas avós que nos ensinaram a amar a Hebe (e já morreram). E de tanta gente que a gente víamosum pouquinho de novo quando assistíamos ao programa da Hebe.

Não conheço uma pessoa que não tenha apego à apresentadora. Nenhuma. E deve ser por essas coisas. Hebe, sem nunca mudar, nunca nos deixou na mão. Tudo mudava, menos ela. Mas tudo acaba. Faz parte. 🙁

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