O caso da menina fantasma: de pegadinha basta a vida

Estadão

29 de novembro de 2012 | 14h12

Pegadinha é um clássico da TV Brasileira. Tão tradicional como o Panetone do Natal, os dinheiros jogados pelo Silvio Santos e a sua risada (de filme de terror). Quando eu era criança, morria de medo de ser alvo de uma pegadinha do Silvio. Sério. Tinha gente na escola que aplicava uma meta-pegadinha que funcionava assim: eles espalhavam o boato que a equipe do Silvio Santos estava na área “dando pegadinhas”. Resultado: crianças em pânico e com medo de sair de casa.

Agora, uns 35 anos depois, a pegadinha da menina fantasma do elevador vira sucesso internacional. Trata-se de um vídeo idiota onde uma menina fantasma assusta pessoas em elevador. As moças que são “alvo” também ficam dentro de um elevador parado e no escuro. Enquanto isso, Silvio Santos dá aquela risada dele de terror. Se eu achei engraçado? Nem um pouco? Se eu me surpreendi? Nada.

Silvio Santos já aplicou pegadinha em uma criança, a menina Maisa, que saiu desesperada do seu programa, ao vivo, enquanto era perseguida por um palhaço e Silvio Santos ria da cara dela. Aquilo sim me assustou. Apavorar uma criança para ganhar Ibope para mim é crime. Pronto.

A tal pegadinha da menina fantasma virou escândalo porque teve repercussão na imprensa internacional. Bem, podíamos mostrar todo o programa do Silvio Santos para eles. E eles também podiam ver seus próprios programas de TV. Pegadinha não é invenção brasileira. É mania mundial. Rir de gente sendo enganada é um clássico.

Eu, como todos vocês, sou alvo de pegadinhas quase todos os dias na vida real. É aquele cara que parece bacana  mas não é. A colega de trabalho que puxa seu saco mas no fim puxa mesmo é o seu tapete. O vizinho cordato que você descobre durante uma madrugada que espanca a mulher. As revistas que prometem regimes que te farão secar em dois dias. Pegadinhas não faltam. É só sair de casa e você  ser alvo de uma.

Detalhe. Para aparecer na televisão, você precisa assinar uma autorização que permita que a sua imagem seja veiculada na TV. Quem é alvo de pegadinha do Silvio assina, sim, o tal papel. Eles deixam.  Meus palpites: ou as pessoas querem aparecer no programa mais tradicional que o Panetone ou acham que nem tem o direito de dizer não.  “Fui enganada, ah, acontece, melhor eu rir disso tudo para não ficar com fama de mal humorada.”

Continuo com medo de pegadinhas e não achando a menor graça delas. De pegadinha, para mim basta a vida.

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