Novela das sete mostra laje, luta de classes e breguice assumida. Como?

Estadão

17 de abril de 2012 | 12h58

A novela se passa na favela? A pergunta foi feita ontem em tom de incredulidade  no twitter por René Silva,  o menino que ficou famoso por ser um dos criadadores do “Voz da Comunidade”, jornal do Complexo do Alemão. E também por boa parte da audiência “do asfalto” que acompanhava a estréia de “Cheias de Charme”, a nova trama das sete da Globo.

Sim. A maior rede de TV do país agora assumiu namoro com a classe c, casou e teve dois filhos: “Avenida Brasil” e agora “Cheia de Charme”. Na trama das sete, o romance fica mais escancarado. A abertura é de Gaby Amarantos, a musa subversiva do tecno brega. E as heroínas são, pasmem, três empregadas domesticas que decidem se vingar das madames. Espera. Luta de classes na novela?  Sim!!!!  E com as empregadas vencendo. Atenção. Empregada doméstica sempre serviu nas tramas para ser simples ponte  para as madames brilharem. Em geral, eram negras, uniformizadas e mudas. Ou coitadas. As três “empreguetes” (ótimo termo cunhado na novela) mão tem nada disso e são a pura imagem do poder.

As palavras laje e puxadinho já foram faladas no primeiro bloco. E há também dois cantores celebridades. Fabian (referencia descarada  a Luan Santanna. E Xaienne, interpretada por Claudia Abreu, uma espécie de mistura de Gaby Amarantos com Claudia Leite.

Calma. A Globo não subiu para a laje porque acordou de uma alucinação e viu finalmente que a maioria da populaçao não  mora no Leblon ou em mansões do Jardim Botânico. Tudo é uma questão de dinheiro. O Brasil mudou, sim. Mais gente consome. E quem tem “poder de compra” “merece” ser retratado. Ok. Existem também novos autores, sem o ranço dos escritores de novelas de ricos do passado. Mas não vamos esquecer do dinheiro. Em todo caso, a novela parece divertida e já era hora mesmo de sair da mansão e encarar a laje. Não é mais a cara do Brasil? Sim.

Bem, agora o mais absurdo disso tudo. Já tem gente reclamando que novela agora é pobre demais, que falta sofisticação ( hahaha! Escuta, é novela, não é opera. E antes vocês fingiam que não gostavam de novela porque isso era coisa de pobre, certo?). Basicamente, já tem gente falando que novela está igual “rodoviária.” E que falta glamour. Como dizem os amigos do twitter: neguinho pira.  E classe média sofre.

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