No fundo, todos já fomos a Agatha de “Avenida Brasil”

Estadão

01 de agosto de 2012 | 19h37

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada”. Ou melhor, nunca conheci quem NÃO tivesse tomado porrada.  Todo mundo já foi trolado, sofreu bulling e todas essas expressões modernas que no fundo significam: ser sacaneado e humilhado. E deve ser por isso que a menina Agatha, interpretada com genialidade por Ana Karolina Lannes, de 12 anos, da novela Avenida Brasil, faz tanto sucesso e brilha como uma espécie de “Miss Sunshine” tupiniquim (se você nunca viu esse filme, assista imediatamente).

Agatha é uma menina gordinha de seus 12 anos de idade (época dramática da vida, quando a gente não é nem criança nem adolescente. Vocês lembram?) rejeitada pela mãe e de alguma forma chamada de gorda e alvo de piada por todos os membros da sua família. “Ela não para de comer, que coisa!”. “Claro, só pensa em comida”. Agatha passa a dia ouvindo isso, assim como muitas meninas do Brasil a fora.

Quem não é “gordinha” ouve outras coisas. Meu apelido na escola na pré-adolescência era Olivia Palito. Vocês podem aproveitar essa revelação pra me xingar. Mas jura que você não tinha um apelidinho no colégio? Meus amigos gays eram chamados de “bichinhas”. Uma amiga negra era a “neguinha da beija flor”. Outra amiga, hoje uma estilista famosa, fazia parte da “turma das monstras.”

A vida não é fácil aos 12 anos e deve ser por isso que temos tanto apego pela menina Agatha. Inclusive porque a gente cresce, mas a “adolescente nerd” não sai de dentro da gente. Todo mundo às vezes se sente inadequado, errado, humilhado, fora da turma. E com aquela sensação aflitiva que a menina passa em todos os episódios da novela que parece significar: “NINGUÉM ME ESCUTA!” OK. Se com você não é assim, tudo bem. Parabéns, Super Homem!