Morte de Whitney vira reality show macabro

Estadão

15 de fevereiro de 2012 | 19h45

Um banquete de sangue. Esse é o cardápio servido pela imprensa de celebridades e canais de entretenimento (sim, tragédia também entra no pacote diversão) desde sábado, quando a cantora Whitney Houston foi encontrada morta em um quarto de hotel em Los Angeles. Há algo de macabro e estranhamente familiar nas mortes em quarto de hotel (Jim Morrisson, Nancy e muitos outros).
É tudo deprimente. Claro. Mas hoje existe um aparato de mídia que torna a tragedia um  filme de terror. Para acompanhar, basta se servir do banquete.

Existe na internet fotos do suposto leito de morte da cantora: a banheira, com setas apontando para um produto de beleza e uma toalha. O que isso acrescenta? Sangue, simples. E pensamentos de medo antes de dormir. Ou alivio. Ela era rica, famosa, e morreu naquela banheira. Eu pelo menos estou seguro em minha cama (como se segurança existisse). Na fronha escorre sangue.

O mesmo sangue escorre pelas nossas bocas quando vemos a ultima ceia de Whitney. Sim, conseguiram (sabe-se lá como) imagens da mesa onde ela comeu sua última refeição, como se a história fosse um filme de condenados à morte. Ela comeu hambúrguer com batatas fritas. Quanto sangue escorre de nossas bocas quando olhamos tais coisas? Parece um reality show macabro. Mas é a morte de uma pessoa. Diva, estrela, não importa, bom lembrar que ela também era um ser humano e que a morte é uma coisa muito íntima. Não em época de mídia sanguinolenta. Nao em tempos de reality.

E depois de participar do banquete macabro? O que você vai quer para o jantar? E será mesmo que você vai conseguir dormir? Difícil. E difícil também saber quando (e onde isso vai parar). Mas se o show do horror fosse exibido pela TV o sucesso seria garantido. Certeza,. Somos todos vampiros.

E  é sangue mesmo. Não é metiolate”.

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