Madonna e Rita Lee: véias doidas ou tapa na cara dos caretas?

Estadão

04 de dezembro de 2012 | 16h03

Desde que teve a manha de estrelar um show usando lingerie, mostrando a bunda, pagando peito (ou seja, sendo sensualmente explicita como sempre foi), Madonna, que se apresenta hoje em São Paulo com sua mega turnê MDNA, tem sido xingada das coisas mais “elegantes” que se pode chamar uma mulher pelo mundão da internet a fora. Madonna, a pop star mais famosa do planeta, de repente virou  uma veia doida, uma sem vergonha, uma caída, uma plastificada, uma decadente que “devia se aposentar”.  Motivo de tanto ódio: Madonna tem 54 anos.

Dá para odiar alguém por causa da idade? Se ela for mulher e não virar uma tia careta ou uma mãe comportada, dá. O ódio à Madonna, antes celebrada como uma espécie de deusa, só prova isso. No show do Rio de Janeiro, ela escreveu a palavra “periguete” no corpo. Madonna não podia ter sido mais bem assessorada. Ela é, sim, uma das rainhas do piriguetismo no mundo, mesmo que ele seja um produto comercial absolutamente calculado.

Aqui por essas bandas, outra moça é xingada, perseguida e detonada dentro da categoria “veia doida”. Rita Lee, 65, ídola máxima da minha adolescência, mostrou a bunda em um show em Brasília mês passado. Perdeu patrocínios. “Como pode uma avó fazer uma coisa dessas?” Escuta, a avó é a Rita Lee, aquela que foi presa grávida e gritava lança perfume bem na cara da censura. Vocês esperavam o que da Rita Lee?

Madonna e Rita Lee deviam se aposentar!, grita o coro moralista que acha que lugar de mulher depois de “uma certa idade” é fazendo tricô. Não parem Rita e Madonna, não parem não!

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