Eu juro que tentei, Rafinha Bastos!

Estadão

27 de maio de 2012 | 22h45

Por cinco segundos nessa noite de domingo, achei que eu pudesse gostar do programa novo do Rafinha Bastos (o importado “Saturday Night Live”, só que em versão brasileira e aos domingos). Eu mesma, que há um ano gritava na Marcha das Vadias: “abaixo o CQC” junto com centenas de mulheres, como profissional “séria”, falaria que ele era engraçado e agora fazia um programa legal.

Por que reclamamos em alto e bom som do Rafinha Bastos ano passado? Porque, entre outras coisas, ele fez uma “piada” onde disse que estuprador merecia uma medalha. Essa foi uma da série de graças ofensivas, defendidas por ele e sua turma como “liberdade de expressão”. Não acho que liberdade seja xingar os outros e fazer apologia ao crime. Mas, quem sabe? Dizem que o cara no fundo é talentoso. Vai que ele mudou de linha?

Com essa esperança, gostei do Rafinha Bastos por cinco segundos. Porque por cinco segundos ele conseguiu rir de si mesmo. Viva! Na abertura do programa, fez piada com o fato do programa “Saturday Night Live” ser aos sábados, pediu desculpas com uma lista a várias pessoas que se sentiram ofendidas por ele, “como os acreanos”, e arrasou fazendo merchandising de guaraná ao mesmo tempo em que falava que aquele era um programa independente e sem patrocínio. E eu também ri de mim mesma pensando: “meu deus, vou ter que falar bem do Rafinha Bastos!”.

Bem, não vou conseguir falar bem. E eu estava, sim, disposta, a dar uma chance (pelo menos por cinco segundos). Mas logo depois de Rafinha rir dele mesmo, esquetes sem graça e sem timing, estilo Zorra Total piorado,  tomaram conta do programa.

E aos poucos aquele Rafinha que me fez gritar na porta do clube de comédia onde ele é um dos sócios apareceu de novo, na hora de mostrar as noticias do dia. Marcha das vadias: “elas precisam emagrecer e fazer dieta”. “Amy Winehouse, seu sangue tem Aids.” Ele disse também que o segundo filho de Eike Batista torce para que o irmão Thor morra em um acidente para herdar a fortuna sozinho. Me senti dentro de um show de stand up “proibidão” e não gostei nada da sensação.

Não foi uma boa noite de domingo. Mas eu tentei, Rafinha Bastos.

PS. E sempre que eu escrevo sobre o Rafinha Bastos e seus amigos sou xingada da maneira mais baixa. Então, pelo jeito, também não vai ser uma boa segunda-feira. Só rindo. De mim mesma, no caso.

 

 

 

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