Esqueça Madonna. E salve Jarvis Cocker, o socialista do pop!

Estadão

27 de novembro de 2012 | 13h39

Esqueça a Madonna. Amanhã, quarta-feira, um sujeito de 48 anos vai se descabelar de dançar em São Paulo. Ele vai mostrar que é possível ser muito jovem depois dos 40 e vai fazer quem é um pouco mais novo do que ele (tipo eu) sentir uma fé enorme na humanidade.

Esqueçam a Madonna com sua boca cheia de botox. Amanhã Jarvis Cocker, o vocalista do PULP, o mito, estará entre nós. A banda, que voltou ano passado para uma série de shows, faz uma apresentação no Via Funchal, São Paulo. Amanhã não é um dia qualquer.

Esqueçam Madonna só por hoj. Ver um show do Pulp é um acontecimento e tanto. Jarvis Cocker, o letrista sarcástico, é uma espécie de socialista do pop. Está do lado oposto dos mega shows falando de política e amor com ironia.

O hino da banda já tem quase 20 anos, mas não datou. “Common People”, um dos maiores hits dos anos 90, conta a história de uma menina que quer “viver como uma pessoa comum e acha que ser pobre é cool”. Na canção, em ritmo de crônica, Jarvis leva a garota até um supermercado e fala para ela imaginar como é viver sem dinheiro. A canção, em show, ganha ares de musica de protesto punk. Eu falo sério.

A banda voltou depois de dez anos e sua primeira apresentação foi em Barcelona, ano passado, não por acaso, o socialista do pop Jarvis Cocker dedicou a música para os “indignados”, que ocupavam a praça de Barcelona naqueles dias. A volta teve clima de histeria. E Jarvis (e o resto da banda) mostrou que sim, é possível ser jovem aos 48. Sem plástica, sem “se adaptar” e sem virar um careta que volta cedo para casa (“he´s so straight”, ele grita em Do You Remember the First time, falando do marido de uma ex namorada).

Jarvis, o socialista barraqueiro, provocou escândalo nos anos 90 ao invadir uma apresentação de Michael Jackson para a TV durante uma premiação e fugir de seguranças rindo pelas costas de Michael. E abaixando as calças para as câmeras. Foi perseguido. Literalmente. Virou herói e declarou que Michael Jackson não era Jesus. Camisetas começaram a ser vendidas em Londres com a inscrição “Jarvis is Jesus”. Bem, ele não caiu nessas e compôs “Im not Jesus”, onde canta: “Eu não sou Jesus, apesar de termos as mesmas iniciais, eu sou o cara que fica em casa e tem que lavar a louça.”

Ele parece mesmo ser esse cara comum. O homem adorado que vai subir no palco do Via Funchal amanhã e foi a principal atração de festivais como o Coachella, se apresenta com um terno amassado, o cabelo completamente despenteado e usa um óculos de professor de história. Mas requebra como ninguém e usa um sapato de saltinho.

Jarvis não é Jesus. Mas é um socialista do pop e tanto. Salve, companheiro.

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