Era virtual e famosos ensinam: a arte de brigar sem gritar

Estadão

04 de maio de 2012 | 12h34

Sujar as mãos de sangue em uma briga é muito chato. Discutir, falar o que não deve e ouvir o que não quer? Péssimo. Dói. Cansa e dá trabalho. Mas na época da virtualidade, existem outras maneiras de brigar. Quem é muito famoso, briga por meio de seus programas de televisão. Sim, sem ter nem que falar com o outro. E quem é um reles mortal neurótico briga por redes sociais.  “Você não sabe, briguei com a fulana”. “Como?” “Ah, foi pelo instagran.”
Se você for famoso, as maneiras de brigar sem nem encontrar a pessoa aumentam. Você manda seus assessores brigarem por você! Simples assim.

A recente briga de Adriane Galisteu e Ana Hickman é um ótimo exemplo das brigas contemporâneas. E antes que vocês briguem comigo (xingar em comentários é uma outra ótima maneira de brigar) deixa eu explicar: esse é um exemplo.

Pois bem. As duas resolveram brigar por meio de programas de TV. Cada uma dava um recado para a outra no seu espaço, com todos os telespectadores ouvindo, e amando (todo mundo gosta de ver sangue, mesmo se for de mentirinha). Aí o marido de uma delas, que também tem um programa de TV, se meteu. Pronto. Sabe aquela boa briga na rua, com cada mulher gritando de cada lado do muro das casas, bem barraqueira mesmo? No mundo dos famosos ou dos maníacos virtuais ela não existe mais. O que não tem nada a ver com uma espécie de “paz entre os homens.”

Famosos e anônimos, continuamos brigando muito. Quem não tem programa de TV ou assessor manda umas indiretas pelo twitter ou pelo Facebook e pronto. E quem é famoso. Bem..
Faça uma declaração polêmica sobre a fulana. E conte com o jornalista pra te ajudar, claro. A outra famosa nem vai precisar responder diretamente. Ela vai mandar um recado. E os fofoqueiros vão espalhar as notas por todos os lugares. Dá para imaginar (e sim, tudo isso é muito engraçado) divas deitadas em ofurôs dando ordem para os assessores: “manda dizer que eu disse isso”. E a outra lê e a resposta se espalha rapidamente, ao infinito. Se você quiser caprichar na briga, mande umas indiretas (ou diretas) pelo Twitter. Os jornalistas vão amar e escrever a frase mais clichê do jornalismo moderno (fulana disse em seu microblog).

A sua briga está pronta e você ainda conseguiu aparecer bastante. E virar o assunto mais comentado da semana (uhuuu!). E antes que os assessores briguem comigo: isso é uma sátira. E o final da história? Elas farão as pazes em um programa de televisão. Difícil é escolher o de quem. Porque a briga agora vira briga por audiência (e não era desde sempre?). Bons tempos em que as pessoas davam uns gritos uma com a outra e pronto.

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