Brasil não tem monarquia, mas tem escola para princesas (eu juro!)

Estadão

14 de novembro de 2012 | 16h55

De novo, as princesas. Uma amiga me repassa um release: escola de princesas. Achei no inicio que era um filme. E existe, sim, um “estrelado” pela Barbie com o mesmo título. Mas não. Existe uma escola de princesas no Brasil.

“Como?”, você pergunta. Não temos monarquia, rainha e o rei foi posto faz tempo. Mas se você quiser, pode matricular a sua filha em uma escola onde ela aprenderá a se portar como “uma verdadeira princesa”. A missão da escola, localizada em Uberaba, interior de Minas Gerais, é “oferecer serviços de excelência que propiciem experiências de natureza intelectual, existencial e vivencial do dia a dia da realeza para meninas entre 4 e 15 anos que sonham em se tornar princesas.”

Sim, você vai matricular a sua filha para que ela aprenda a ser uma coisa que ela nunca vai ser. Mas o show do absurdo continua. “A escola de princesas não é somente uma escola de etiquetas…. acreditamos na formação do caráter sólido.” E a cereja do bolo, ou melhor, a coroa de princesa: “A cada lição, as meninas são encorajadas a apreciar e aproveitar as qualidades positivas do caráter do comportamento das Princesas, sejam elas reais ou da ficção.”

Nos anos 50, 60, as mães matriculavam as filhas em aula de etiqueta, para que elas se saíssem boas esposas. Acho que era mais digno. Pelo menos elas sabiam o destino de gata borralheira que as esperava: bordar, manter uma boa mesa, agradar o marido e por aí vai. Agora, 2012, as meninas podem ser matriculadas em uma escola onde terão, entre outras coisas, vivências de “chás reais”.

Um dia elas vão crescer, vão ver que princesa não existe e que príncipe muito menos. Ou pior, elas vão acreditar que são princesas. Vão querer ser tratadas como tal. E se viverem em uma sociedade um pouco normal, vão quebrar a cara, simples. E o que uma princesa tem a ensinar mesmo? Que lugar de mulher é do lado do príncipe, quietinha?

Outro dia escrevi nesse blog que a nova princesa era uma blogueira de moda. Reitero. As mulheres que chamam blogueiras de princesas, as que matriculam filhas em escolas de princesas e as garotas que têm blogs do estilo “vida de princesa”, “princesa descolada” (são centenas) querem a mesma coisa: brincar de faz de conta e de submissão.

“As princesas de Uberada”. Era para ser engraçado. Se não fosse triste.

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