Black Friday: como fingir que você mora nos EUA sem sair do Brasil

Estadão

23 de novembro de 2012 | 12h38

Eu devo ser ignorante. Mas não, não sabia o que era Black Friday até acordar hoje e abrir minha caixa de e-mails. Seria uma sexta-feira 13 fora de época? Um dia do capeta? As ofertas de descontos não param de invadir a minha caixa postal com o título em letras garrafais: “BLACK FRIDAY”.

Fui entendendo o que era a tal sexta-feira negra (eu não saber deve significar que eu sou “caipira”). Trata-se de uma invenção americana que o Brasil resolveu copiar. É assim. Depois do “Thanksgiving”, eles fazem um dia com grandes descontos nas lojas. Espera, se a gente não comemora o “Thanksgiving”, que afinal é uma tradição deles, não nossa, porque teremos Black Friday? E por que chama em inglês? Provavelmente porque em inglês vende mais (e mais caro). Já temos o “Fashion´s Night out”, noite em que as lojas e shoppings ficam abertas para vender, outra “tradição” copiada.

Em inglês deve vender mais, sim. Afinal, liquidação virou “sale” faz tempo e alguém que for seqüestrado no Canadá e largado em um shopping brasileiro vai achar que está no Texas. A boa noticia. Você não precisa mais viajar para os Estados Unidos para se sentir americano. Você pode ficar por aqui mesmo. É só você morar em um loft em um prédio chamado “Summer”, trabalhar em um prédio de “offices” e comemorar feriados americanos, como o Halloween e o Thanksgiving.

É bom todo mundo aprender logo a assar peru. As passagens aéreas estão caras. Vamos brincar de Disney por aqui. E comprar muito, claro. Quer dizer, “let´s go shopping!” Ah, ano que vem a gente não pode deixar de comemorar o quatro de julho!

PS. Obrigado, Camilo Rocha, pela inspração. Quer dizer, Thanks, friend!

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