BBB: a incrível fábrica de Barbie e Playmobil

Estadão

09 de janeiro de 2012 | 14h30

Se você chegar na seção de Playmobil de uma loja, vai encontrar de um tudo. Há o bonequinho jardineiro, o mecânico, o surfista e por aí vai. O mesmo acontece na área dedicada às meninas. Você quer ser a Barbie Princesa ou a Barbie Médica? Montar um elenco de Big Brother Brasil, o programa que estreia amanhã sua décima-segunda edição, deve ser parecido com criar uma linha de bonecos.
Claro, a linha é adaptada à era contemporânea. Por isso, há o Playmobil Mister Universo, o Playmobil Gay, as Barbies Gostosas (uma série que faz sucesso), e também a Barbie Moderna, aquela que, segundo rumores, gosta de meninos e meninas.
Difícil ver no elenco de um Big Brother um boneco “misturado”, que seja ao mesmo tempo um Playmobil Lutador de Jiu Jitsu e pai de família aplicado. Na vida real, como sabemos, com a graça de deus, os bonecos se confundem. Nenhum de nós é só um personagem e a Barbie Clubber muitas vezes é também a Barbie Médica.
“Na minha escola não tem personagem, na minha escola tem gente de verdade”, cantava Renato Russo, lá nos anos 90, quase implorando.
No BBB, ao contrário do que possa parecer, também tem gente de verdade. E é por isso que o programa ganha vida. Na hora em que os bonecos, tal qual em um filme meio de comédia, meio de terror, começam a agir por conta própria. Aí a produção tenta manipulá-los, claro. Mas uma vez vivo o personagem muitas vezes sai do controle. Ou, o que acontece bastante, acredita tanto que é um boneco que começa a ficar perigoso. “Sou o Playmobil Jiu Jitsu, por isso vou falar mal de gay pra caramba.” Isso já aconteceu em algumas edições do programa. E deu ibope.
Dessa vez não deve ser diferente. Problema. O programa vai ter que competir com “Mulheres Ricas”, o reality show das Barbies reais, aquele que estreou semana passada na Band e mostra Barbies Peruas agindo como… Barbies peruas.
Ainda não sabemos de qual boneco queremos brincar, por isso, ficaremos zapeando entre a Barbie Perua e o Playmobil Gay. Claro, tudo isso esperando que os bonecos virem monstros e que saia muita briga. Como qualquer criança, além de brincar de boneco, também gostamos de brincar de porrada. E de médico. Não por acaso, os picos de ibope do BBB acontecem quando alguém briga. Ou transa. “Sexo e karatê na minha TV”.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.